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Regime comunista

Deputados do Panamá acusam China de interferir no Legislativo do país

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Deputados do Panamá acusam a China de interferência após pressão de Pequim contra aproximação parlamentar com Taiwan. (Foto: Bienvenido Velasco/EFE)

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Deputados do Panamá acusaram nesta quarta-feira (9) o regime da China de tentar interferir no funcionamento da Assembleia Nacional, o Parlamento do país, depois que Pequim cobrou publicamente parlamentares que criaram um grupo de conversas diretas com Taiwan. As críticas foram feitas por deputados ouvidos pelo portal argentino Infobae, após a Embaixada chinesa exigir que eles reconsiderassem a iniciativa.

A crise começou com a criação, nesta terça-feira (8), de um grupo destinado a promover contatos entre os Legislativos do Panamá e de Taiwan. Segundo o Ministério das Relações Exteriores taiwanês, 45 dos 71 deputados panamenhos aderiram à iniciativa, número equivalente a mais de 60% da Assembleia Nacional. Entre os integrantes estão membros da direção da Casa e da comissão responsável pelas relações exteriores.

A embaixada da China na Cidade do Panamá manifestou “forte descontentamento e enérgico repúdio” à iniciativa, afirmando que a aproximação dos deputados com Taiwan contraria o princípio de “uma só China”, reconhecido oficialmente pelo Panamá desde 2017.

Pequim também pediu que os parlamentares mudassem de posição rapidamente e interrompessem contatos que, segundo a embaixada, prejudicam as relações entre China e Panamá. O regime comunista chinês considera Taiwan - ilha que possui um governo democraticamente eleito - parte de seu território e rejeita iniciativas oficiais de países com os quais mantém relações diplomáticas que possam dar reconhecimento político à ilha.

Tal cobrança provocou fúria dentro da Assembleia. Ao Infobae, o deputado Medin Jiménez, que preside o grupo de conversas com Taiwan, rejeitou a ideia de que o Legislativo panamenho deva se submeter à orientação de uma representação estrangeira sobre quais parlamentos pode procurar. Ele afirmou que o grupo continuará em funcionamento apesar da contestação chinesa.

“Eles têm a posição deles e nós temos a nossa como panamenhos”, disse Jiménez ao portal. O deputado sustenta que a iniciativa não altera a política diplomática oficial do Panamá, mas cria um canal próprio entre os parlamentares dos dois lados.

Outros deputados fizeram críticas semelhantes. O parlamentar Luis Duke afirmou ao Infobae que a manifestação chinesa ultrapassou os limites de uma posição diplomática ao tentar influenciar uma decisão interna da Assembleia. Ele disse que o contato com Taiwan interessa ao Panamá principalmente pela experiência da ilha em áreas como tecnologia, inovação e semicondutores.

O presidente panamenho, José Raúl Mulino, evitou aderir à iniciativa e separou a posição de seu governo da adotada pelos deputados. Em publicação no X, ele lembrou que a condução das relações exteriores cabe ao Executivo e afirmou que viagens e trocas de informações de parlamentares com Taiwan não significam que o governo os esteja apoiando.

O Panamá mantém relações diplomáticas com a China desde junho de 2017, quando rompeu oficialmente os vínculos com Taiwan. No acordo firmado naquele ano, o governo panamenho reconheceu Pequim como o único governo legítimo da China e assumiu o compromisso de não manter relações ou contatos oficiais com Taiwan.

Taiwan, por sua vez, recebeu a criação do grupo parlamentar como um sinal de reaproximação. O governo da ilha afirmou que pretende ampliar os contatos com os deputados panamenhos.

O episódio ocorre em um período de maior atrito entre Panamá e China. Nos últimos meses, os dois países também enfrentaram divergências envolvendo empresas chinesas e a operação de terminais portuários próximos ao Canal do Panamá.

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