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Revolta árabe

Drusos fogem de Damasco e voltam para as Colinas de Golã

Universitários, que têm familiares em território ocupado por Israel, evitam falar do regime de Assad por temer retaliação

Após abandonarem Damasco, universitários drusos cruzam a fronteira da Síria com Israel de volta para as Colinas de Golã, sua terra natal | Atef Safadi/EFE
Após abandonarem Damasco, universitários drusos cruzam a fronteira da Síria com Israel de volta para as Colinas de Golã, sua terra natal (Foto: Atef Safadi/EFE)
Rebeldes e Exército sírio se enfrentaram em Aleppo |

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Rebeldes e Exército sírio se enfrentaram em Aleppo

Em meio à sangrenta guerra civil na Síria, dezenas de universitários drusos fugiram de Damasco e voltaram para seus lares nas Colinas de Golã, território sírio que Israel ocupa desde 1967. Os estudantes, que já se encontram com os familiares, temem retaliação do regime de Bashar Assad aos vilarejos da região.

A retirada foi coordenada pela Cruz Vermelha e retoma o dilema sobre a situação dos povos drusos na região de Golã. Muitos moradores estão horrorizados pela carnificina que ocorre próximo aos vilarejos, mas ainda hesitam em se manifestar contra o regime sírio, ao qual tem se mantido aparentemente leais. Os drusos temem expor suas críticas, caso a ditadura da família Assad sobreviva e Golã volte a ser controlada pelo governo sírio. Ao regressar, os estudantes se recusaram a falar com os jornalistas por medo de represálias e não comentam sobre o que viram ou vivenciaram na capital.

"Claro que estamos preocupados", disse Salah Mugh­­rabi, moradora da vila de Buqata, que esperava filho e sobrinho na passagem de Quneitra, um posto militar estabelecido em meio a um pomar de maçãs. "Nós estamos aflitos pelos nossos parentes, nossos amigos e nosso país – de ambos os lados do conflito. Todos que estão morrendo são sírios. E, para nós, isso é muito doloroso de ser ver."

Israel ocupou a região das Colinas de Golã, que era a maior parte da província síria de Quneitra, durante a guerra de 1967. Mais tarde, anexou o território, medida que não foi reconhecida pela comunidade internacional. A Síria exige a devolução de Golã como uma condição de paz, mas depois de várias rodadas de negociação, nenhum acordo foi atingido.

Cerca de 20 mil drusos vi­­vem na região sob controle de Israel, lado a lado com um número similar de moradores judeus. As Colinas de Golã encontram-se entre o nordeste de Israel e o sudoeste da Síria. A religião drusa é uma dissidência reservada do Islã, cujos seguidores vivem primordialmente na Síria, Israel, Líbano e Jordânia. Enquanto os drusos que vivem em Israel são considerados cidadãos comuns e até servem no exército nacional, os habitantes de Golã preferiram não adquirir cidadania israelita e são identificados como cidadãos da Síria.

Inicialmente, o retorno dos estudantes estava marcado para o dia 16 de agosto, mas, de acordo com a porta-voz da instituição, Noora Kero, os pais temiam pela segurança de seus filhos e exigiram que eles voltassem antes. Segundo os familiares de dois estudantes, os jovens estão calados, pois têm medo que os oficiais sírios ataquem a comunidade drusa em Damasco. Outro parente apontou que um universitário teria sido ferido com um tiro de rifle pelas forças de Assad.

De volta a Golã desde maio, um médico de 29 anos disse que as forças de seguranças o interrogaram durante seis horas. De acordo com ele, o conflito entre rebeldes e oficiais podia ser visto com clareza do dormitório dos estudantes nos limites da cidade.

Ele afirmou ter acompanhado um homem ser morto a tiros e duas crianças espancadas até ficarem imóveis no chão. "Nós ouvimos explosões todas as manhãs e dormíamos ao som das balas", disse o médico, que pediu anonimato por medo de represálias caso retorne a capital síria.

Número de universitários

Não foi definido o número de drusos de Golã que estão estudando em Damasco. No começo do ano letivo, eram cerca de 300 universitários, mas muitos já voltaram para as Colinas, disse a porta-voz da Cruz Vermelha. Durante anos, os drusos foram autorizados a entrar na Síria e participar de programas apoiados pelo governo nas universidades. Tradicionalmente, os drusos de Golã mantém contato com seus parentes da Síria e, por vezes, recebem até permissões para acompanhar casamentos e peregrinações religiosas em território sírio. No entanto, os moradores da região que se casam com cidadãos sírios são destituídos do direito de viver em Golã.

Agora, eles temem pelo destino de seus parentes que se estabeleceram na Síria. O médico disse que os moradores de Golã têm todos os motivos para se preocupar com seus entes queridos. "O país está enfrentando mil demônios", disse ele.

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