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É preciso punir os clientes de prostitutas, diz Vaticano

O Vaticano pediu nesta terça-feira aos países do mundo todo que aprovem leis de combate à "escravidão moderna" da prostituição, protegendo as mulheres da violência e punindo os clientes delas.

Um novo documento da Santa Sé afirmou que a exploração das mulheres tem origem em atividades como o tráfico de seres humanos e o turismo sexual. E que o problema deveria ser enfrentado de uma forma ampla.

"As vítimas da prostituição são seres humanos que, em muitos casos, clamam por ajuda, clamam para serem libertados da escravidão", disse o documento elaborado pelo departamento do Vaticano que trata de questões envolvendo a migração.

"Os clientes também são pessoas com problemas profundos e, em certo sentido, também são escravos", afirmou o texto.

"Uma medida eficiente no sentido de mudar culturalmente a forma como se encara a prostituição poderia ser adotada associando-se uma lei criminal com a condenação social."

Instado a explicar esse trecho do documento, o monsenhor Agostino Marchetto disse: "Acreditamos que deveria não apenas haver proteção para as mulheres, mas também punição para os clientes."

Segundo Marchetto, o Vaticano defendia leis semelhantes às adotadas na Suécia, que pune os clientes com penas de prisão e multas estipuladas com base em seus salários.

A seção do documento na qual se aborda o tema da prostituição, intitulada "Ministério Pastoral para a Libertação das Mulheres de Rua", disse que os homens que recorrem às prostitutas deveriam estar cientes da "clara condenação (da Igreja) ao pecado e à injustiça que cometem."

Em muitos países, entre os quais a Itália, os que pagam para ter relações sexuais com uma mulher não são punidos.

As leis italianas fazem vista grossa para a prostituição, punindo apenas os que "exploram" essa atividade, ou seja, os cafetões.

Nos últimos anos, vários políticos da União Européia (UE) defenderam a proibição do sexo pago.

O número de prostitutas nas ruas das cidades italianas aumentou de forma dramática recentemente. Muitas das mulheres vêm de países antes pertencentes ao bloco soviético ou da Nigéria. E as autoridades afirmam que muitas são vítimas do tráfico de seres humanos.

"A prostituição é uma forma de escravidão moderna", afirmou o documento do Vaticano, observando que o número de prostitutas no mundo havia aumentado bastante devido a uma somatória complexa de motivos sociais, econômicos e culturais.

"O importante é reconhecer que a exploração sexual e a prostituição ligada a pessoas que traficam seres humanos são atos de violência que constituem uma ofensa à dignidade humana e uma séria violação dos direitos fundamentais", disse o documento.

Segundo o texto, a Igreja deseja "o cumprimento das leis que protegem as mulheres do mal da prostituição e do tráfico de seres humanos", mas também a adoção de medidas eficientes para impedir que as mulheres sejam retratadas de forma humilhante em peças de propaganda.

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