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O eclipse solar que ocorre nesta quarta-feira (12) será acompanhado não apenas por milhões de pessoas, mas também de perto por operadores de sistemas elétricos de toda a Europa. O motivo é que a passagem da Lua diante do Sol vai reduzir temporariamente a quantidade de luz disponível para os painéis fotovoltaicos e, consequentemente, a geração de eletricidade solar.
Segundo a Rede Europeia de Operadores de Sistemas de Transmissão de Eletricidade (ENTSO-E), em condições de céu limpo, a produção fotovoltaica poderá cair em até 9,7 gigawatts (GW) no continente durante o fenômeno. A entidade afirma que os operadores estão preparados para manter o funcionamento seguro e estável da rede.
A preocupação está relacionada à crescente participação da energia solar na matriz europeia. A fonte respondeu por aproximadamente 13% da geração de eletricidade da União Europeia em 2025.
Assim, uma redução rápida e previsível na produção exige que outras fontes de energia e mecanismos de controle sejam acionados para manter o equilíbrio entre oferta e demanda.
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Por que o eclipse solar afeta a geração de energia?
O funcionamento de uma usina fotovoltaica depende da radiação solar que chega às células dos painéis. Quando a Lua passa entre a Terra e o Sol, parte dessa radiação é bloqueada. Quanto maior a cobertura do disco solar, maior tende a ser a redução momentânea na produção.
Isso não significa que os painéis deixem de funcionar completamente em todo o continente. O efeito varia conforme o grau de cobertura do Sol, a localização e as condições meteorológicas. Nuvens, por exemplo, também interferem na quantidade de energia produzida e podem alterar a intensidade da queda prevista.
O fenômeno desta quarta-feira terá impacto especialmente relevante em países como Espanha e Portugal. Na Espanha, onde haverá eclipse total em parte do território, a Red Eléctrica de España (REE) estima que a produção solar na Península Ibérica possa sofrer uma redução de até 5 GW. O valor equivale a cerca de 13% da demanda máxima de uma quarta-feira típica de agosto.
Em Portugal, a Redes Energéticas Nacionais (REN) estima uma perda de aproximadamente 450 megawatts (MW) de geração solar entre 18h30 e 20h30. Segundo a empresa, isso representa cerca de 7% do consumo previsto para o período e 45% da produção solar média esperada para aquele horário.
A velocidade da mudança também é um desafio. A REN calcula que a perda possa chegar a 35 MW por minuto. Para compensar a redução, a operadora informou que será necessário mobilizar reservas adicionais de geração hídrica e/ou térmica, além de coordenar a operação com a rede espanhola.
O horário, porém, ajuda a reduzir os riscos. O eclipse ocorrerá no fim da tarde e início da noite, quando a geração solar já estaria naturalmente diminuindo. Dessa forma, o fenômeno provoca uma queda mais acentuada do que a esperada normalmente, mas não interrompe uma produção que estaria em seu pico diário.
Europa corre risco de apagão?
A resposta dos operadores é que o eclipse, por si só, não representa uma ameaça de apagão generalizado. A Comissão Europeia afirmou na semana passada que o impacto não deveria ser muito significativo e que não havia problemas de segurança no fornecimento de energia. A ENTSO-E também informou que os operadores estão preparados para manter a estabilidade do sistema durante o evento.
Ainda assim, a situação exige planejamento porque a rede elétrica precisa equilibrar geração e consumo continuamente. Uma queda repentina na produção solar pode ser compensada por outras fontes, por armazenamento de energia, por importações ou por mecanismos de resposta da demanda.
Para isso, a ENTSO-E criou um grupo de trabalho específico para coordenar os preparativos. Operadores de países como Espanha, Portugal, Alemanha, França, Irlanda e Irlanda do Norte adotaram medidas para lidar com a redução temporária da geração solar.

O desafio também existe quando o eclipse termina. A produção dos painéis volta a crescer à medida que a luz solar retorna, exigindo que os operadores acompanhem a chamada “rampa” de geração para evitar que uma recuperação rápida cause outro desequilíbrio.
A situação é um exemplo dos desafios que surgem à medida que fontes renováveis variáveis ganham espaço na matriz elétrica. A energia solar permite reduzir o uso de fontes fósseis, mas sua produção depende das condições de luz e, portanto, exige redes cada vez mais capazes de responder rapidamente às mudanças.
Por que o Reino Unido oferece energia gratuita?
No Reino Unido, uma das principais empresas de fornecimento de eletricidade decidiu transformar o eclipse em um experimento de resposta da demanda. A Octopus Energy está oferecendo uma hora de energia gratuita aos clientes que reduzirem o consumo durante o fenômeno.
A campanha foi batizada pela empresa de “apagão do eclipse”. A lógica é simples: se a geração solar cair, uma redução simultânea do consumo ajuda a diminuir a pressão sobre a rede e reduz a necessidade de colocar outras usinas em funcionamento para compensar a diferença.

Os clientes que participarem e consumirem menos eletricidade do que o habitual durante o período receberão uma hora de energia gratuita no domingo. O benefício será limitado a 16 quilowatts-hora (kWh), volume que a empresa considera muito superior ao consumo que uma residência comum teria em uma hora.
A estratégia mostra como a própria demanda pode ser usada para ajudar no equilíbrio do sistema. Em vez de apenas aumentar a geração de outras fontes, os operadores também podem estimular consumidores a transferir ou reduzir temporariamente o uso de eletricidade.
Há riscos para o consumo de energia no Brasil?
O eclipse solar de 12 de agosto também será parcialmente visível no Brasil, mas em uma área muito restrita. De acordo com os dados de visibilidade, somente o Rio Grande do Norte terá uma pequena faixa de observação, entre aproximadamente 16h15 e 16h43, no horário de Brasília. A totalidade não será visível no país.
Por isso, o fenômeno não deve produzir no sistema elétrico brasileiro um efeito comparável ao previsto na Europa. A maior parte do território nacional estará fora da faixa de visibilidade do eclipse, enquanto o Sistema Interligado Nacional conta com uma matriz diversificada, que inclui hidrelétricas, termelétricas, eólicas e solares.
Além disso, o eclipse de 12 de agosto não deve ser confundido com uma interrupção da produção de energia solar em todo o planeta. O efeito ocorre apenas nas regiões sobre as quais a sombra da Lua passa e durante um período limitado.
A NASA aponta que o eclipse total atravessará Groenlândia, Islândia, Rússia, Oceano Atlântico, Espanha e uma pequena área de Portugal, enquanto outras regiões do Hemisfério Norte terão diferentes graus de eclipse parcial.



