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Revolta árabe

Egito complica relações com os EUA

Governo Obama tem novo desafio para liderar a política no mundo árabe após deposição de presidente

Reação dos defensores do presi-dente deposto Mohamed Mursi aumenta risco de guerra civil no Egito | Suhaib Salem/Reuters
Reação dos defensores do presi-dente deposto Mohamed Mursi aumenta risco de guerra civil no Egito (Foto: Suhaib Salem/Reuters)

A postura dos Estados Unidos em relação a Mohamed Mursi mudou drasticamente nos últimos tempos. Depois de meses tratando-o como um parceiro viável, funcionários do governo Barack Obama demonstraram apoio à ação das Forças Armadas contra o primeiro presidente democraticamente eleito da história do Egito. Na quarta-feira, Mursi foi derrubado pelo exército e agora os EUA têm um novo desafio em relação aos rumos da política no mundo árabe.

Apenas uma hora antes do anúncio de que os militares egípcios tinham destituído o presidente, o Departamento de Estado dos EUA criticou Mursi, um político de raízes islâmicas, por um discurso feito na terça-feira e por não se entender com a oposição. Ao mesmo tempo, as autoridades norte-americanas se recusaram a condenar o que muitos no Egito qualificaram como os preparativos dos militares para um golpe de Estado contra um presidente legitimamente escolhido nas urnas.

"Quando os militares respondem a uma chamada de 17 milhões de egípcios que tomaram as ruas nos últimos cinco dias, exigindo eleições presidenciais antecipadas, isso não é um golpe. Isso é chamado de revolução", disse uma autoridade que rompeu com Morsi e pediu para não ser identificada.

Por outro lado, políticos egípcios e analistas do Oriente Médio acusam Obama de ser cúmplice no golpe contra Morsi, ao não condenar como golpe a ação dos militares contra o presidente. Durante visita à Tanzânia, Obama pediu calma, mas pareceu deixar Mursi à própria sorte ao declarar que os EUA não apoiariam nenhum dos lados em particular.

Apesar de não quererem apoiar os golpistas, os EUA também não querem ser vistos como defensores de Mursi devido à concentração de poder por parte dele. "Você não quer apoiar as pessoas erradas, então não queremos apoiar ninguém", disse uma fonte no governo dos EUA. "É por isso que temos de ser apolíticos."

Porém, há indícios de que o movimento dos militares egípcios contra Mursi pode ser bem recebido em Washington. Muitos dos principais aliados dos EUA no Oriente Médio, incluindo Israel, Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, estavam desconfiados do governo de Mursi e da ascensão da Irmandade Muçulmana no Egito.

Obama terá de rever ajuda financeira

No curto prazo, o governo Obama tem de debater a manutenção de sua linha de apoio financeiro aos militares egípcios, orçada em US$ 1,3 bilhão. A legislação dos EUA exige a suspensão da assistência a militares que derrubam um governo democraticamente eleito.

Já no longo prazo, os acontecimentos no Egito vão tornar mais complicados os esforços dos EUA para gerir as transições políticas que estão ocorrendo no mundo árabe desde 2011. Caso Washington aceite o golpe militar no Cairo, isso pode prejudicar a capacidade dos EUA de promover uma reforma política em países que vão desde a Síria ao Iêmen."É sem dúvida um golpe de Estado, mas não é necessariamente um golpe contra a democracia", afirmou a ex-funcionária da administração do Departamento de Estado de Obama Sonni Efron.

O golpe contra Mursi é o mais recente exemplo da parceria conturbada entre os EUA e o Egito, que não se recuperou da derrubada de Hosni Mubarak, em 2011. Obama foi criticada na ocasião por não pressionar Mubarak para que promovesse uma reforma política e, em seguida, por retirar rapidamente o apoio quando as manifestações cresceram.

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