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Para entender

Eleições americanas definem o nível de controle de Donald Trump no Congresso

Eleição na qual estarão em jogo as 435 cadeiras da Câmara federal e um terço do Senado definirá rumos dos dois anos restantes do mandato de Trump (Foto: JIM LO SCALZO/EFE/EPA)

As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, marcadas para 3 de novembro de 2026, decidirão a nova composição da Câmara e do Senado. O pleito é fundamental para o presidente Donald Trump, pois o resultado determinará se ele terá apoio legislativo para avançar com suas propostas ou se enfrentará um bloqueio da oposição democrata, limitando seu poder político nos últimos dois anos de mandato.

Como funcionam as midterms e por que elas são importantes?

As chamadas midterms são eleições que ocorrem no meio do mandato de um presidente nos Estados Unidos. Nestas votações, os eleitores escolhem todos os 435 deputados federais e renovam cerca de um terço do Senado, que possui 100 cadeiras ao todo. Elas funcionam como um termômetro da aprovação popular do governo. Se o partido do presidente vence, ele ganha força para aprovar leis e orçamentos. Caso contrário, o mandatário pode se tornar um 'pato manco', termo usado para líderes que perdem influência política e têm seus projetos travados pelo Congresso até o fim do mandato.

Quais são as projeções atuais para o controle da Câmara e do Senado?

Projeções da plataforma Cook Political Report indicam uma disputa extremamente equilibrada. Na Câmara, os democratas aparecem com vantagem em 213 cadeiras, enquanto os republicanos somam 201. O controle real depende de 21 distritos considerados 'campos de batalha', onde não há favorito claro. No Senado, a situação se repete: 13 cadeiras tendem aos democratas e 15 aos republicanos, com sete estados (como Texas, Ohio e Michigan) servindo de cenário para disputas acirradas. Atualmente, os republicanos detêm maiorias apertadas em ambas as casas, e qualquer mudança pode inverter o poder.

O que está em jogo para Trump caso os republicanos percam a maioria?

Uma vitória democrata em apenas uma das casas legislativas já criaria grandes obstáculos para o governo. Além de bloquear propostas orçamentárias e projetos específicos, a oposição passaria a controlar comissões de investigação. Os focos já sinalizados incluem os negócios da família Trump, possíveis conflitos de interesse com investidores estrangeiros, operações militares no Irã e na Venezuela, além da gestão de políticas migratórias e o caso Epstein. Se os democratas conquistarem também o Senado, eles ganham o poder de barrar a indicação de juízes e autoridades feita pelo presidente.

Existe um risco real de impeachment para o presidente após as eleições?

Embora uma vitória da oposição facilite a abertura de investigações, o impeachment é improvável. Para destituir um presidente, a Câmara precisa de maioria simples, mas o veredito final depende do Senado, onde é necessária a aprovação de dois terços dos parlamentares. Dificilmente os democratas alcançariam essa proporção sozinhos, exigindo um apoio republicano massivo que hoje não existe. Além disso, analistas apontam que insistir em um processo de destituição sem chances reais de condenação poderia desgastar os próprios democratas, permitindo que Trump alegue perseguição política.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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