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O regime de Cuba admitiu que o transporte público do país enfrenta uma das piores crises de sua história, com uma queda prevista de 75% no número de viagens de passageiros neste ano. A situação é ainda mais grave nas linhas de ônibus que ligam a capital Havana às demais províncias da ilha, que passaram de 419 viagens diárias em 2025 para apenas 11 neste ano.
Os números foram divulgados pelo ministro dos Transportes do regime cubano, Eduardo Rodríguez Dávila, em entrevista à agência Reuters publicada nesta quinta-feira (22). Segundo ele, a quantidade de rotas nacionais de ônibus também caiu de mais de 100 para apenas 21, enquanto o transporte interurbano utilizado por trabalhadores deve registrar uma redução de 90% até dezembro.
"O transporte público tradicional está em um de seus mínimos históricos", reconheceu o ministro.
A crise já afeta diretamente a população, que enfrenta dificuldades para chegar ao trabalho, visitar familiares e procurar atendimento médico. Muitos cubanos passaram a depender de caronas ou de transportes privados, cujos preços são mais elevados.
"São famílias que não conseguem se locomover, pessoas que não podem visitar seus familiares doentes, outras que não conseguem chegar a um hospital", reconheceu Rodríguez Dávila.
O regime comunista atribui o agravamento da crise às restrições impostas pelos Estados Unidos ao fornecimento de petróleo para a ilha. O governo do presidente Donald Trump intensificou as medidas em janeiro, pressionando países que ainda exportavam combustível para Cuba. Washington justifica as sanções como parte de sua estratégia de pressão contra a ditadura cubana, que é acusado por diversos órgãos de direitos humanos de perseguir e torturar opositores.
Apesar da justificativa de Havana, os problemas no transporte enfrentados pela ilha são anteriores às novas sanções americanas. A deterioração da frota, a falta de peças de reposição e a escassez de recursos, provadas pela inação da ditadura comunista, já haviam provocado cortes de linhas e redução dos serviços nos últimos anos.
Para tentar contornar a falta de combustível, o regime cubano passou a incentivar a utilização de veículos elétricos. Segundo Rodríguez Dávila, o país já possui cerca de 150 mil carros, motocicletas e triciclos elétricos, o dobro do registrado em 2025. A alternativa, no entanto, também enfrenta dificuldades. A produção de energia não acompanha o crescimento da frota elétrica e muitos veículos permanecem parados por falta de eletricidade para recarga.







