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Oriente Médio

Em crise, Palestina lembra aniversário da morte de Arafat

Palestino diante de grafite do líder Arafat, em Gaza: símbolo de unidade | Mohammed Abed/AFP
Palestino diante de grafite do líder Arafat, em Gaza: símbolo de unidade (Foto: Mohammed Abed/AFP)

Jerusalém - Milhares de pessoas se reuniram ontem em Ramallah (Cis­­jordânia) para lembrar o 5.º aniversário da morte do ex-líder palestino Iasser Arafat. O ato ocorre no momento em que a Autoridade Nacional Palestina (ANP), presidida por Mahmoud Abbas, passa por uma grave crise política.

Colabores de Abbas – su­­cessor de Arafat – sugeriram que ele renuncie ao cargo, o que poderia provocar um co­­lapso da ANP. Um dos principais motivos do desgaste de Abbas é o fracasso nas negociações por um acordo de paz com Israel, lideradas pelos Es­­tados Unidos, e na formação de um Estado palestino in­­de­­pendente.

A ANP foi estabelecida por Arafat durante o processo de paz de Oslo, na década de 90. O ex-líder palestino, que morreu em 11 de novembro de 2004, aos 75 anos, continua a ser visto por muitos palestinos como um símbolo da unidade e da resistência contra Israel.

De acordo com a lei palestina, para que a renúncia de Abbas torne-se efetiva, ela de­­ve ser aprovada por ao me­­nos dois terços do Parla­­men­­to. Caso a medida seja de fato aprovada, o porta-voz parlamentar, Aziz Dweik, do mo­­vimento radical islâmico Ha­­mas – rival ao Fa­­tah de Ab­­bas – assumiria a Presi­­dên­­cia da ANP até que novas eleições sejam realizadas, em 60 dias.

Diálogo fracassado

Palestinos se recusam a retomar o diálogo com Israel sem o congelamento dos assentamentos ju­­deus na Cisjordânia e em Jeru­­sa­­lém Leste, exigência que, a princípio, era apoiada pelos EUA.

No entanto, o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, se recusa a cumprir a exigência, e nas últimas semanas o governo de Washington voltou atrás, pe­­dindo que ambos os lados retomem o diálogo, sem impor pré-condições.

A presença de quase 500 mil colonos judeus na Cisjordânia e em Jerusalém Leste sempre foi vista por palestinos como um obstáculo para o estabelecimento de um Estado palestino.

Apesar de a comunidade in­­ternacional considerarem os assentamentos ilegais, o número de colonos dobrou desde o início do processo de Oslo, em 1993.

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