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O presidente de Argentina, Alberto Fernández, caminha ao lado da primeira dama, Fabiola Yañez, após votar na Universidad Católica Argentina, em Buenos Aires, neste domingo (14)
O presidente de Argentina, Alberto Fernández, caminha ao lado da primeira dama, Fabiola Yañez, após votar na Universidad Católica Argentina, em Buenos Aires, neste domingo (14)| Foto: Enrique García Medina/EFE

O governo do presidente Alberto Fernández sofreu uma dura derrota nas eleições legislativas realizadas neste domingo (14) na Argentina, perdendo a maioria dos parlamentares no Senado. Das 72 cadeiras disponíveis na casa legislativa, o governo passa a ter 35, ante 40 que detinha anteriormente.

Já na Câmara, a coalizão governista Frente de Todos perdeu dois deputados, passando a ter uma base de 118 dos 257 parlamentares, dois a mais que a principal coalização de oposição: "Juntos por el Cambio". Os números da apuração não estavam totalizados até às 09h20 desta segunda (99% das urnas apuradas), podendo ainda haver alguma variação no resultado oficial.

Por ocorrerem em meio ao mandato presidencial, a votação deste domingo é considerada uma espécie de plebiscito sobre o atual governo e um termômetro das eleições presidenciais de 2023.

É a primeira vez que o peronismo perde a maioria no Senado argentino desde a redemocratização do país, em 1983, e reflete a rejeição que o governo enfrenta em meio à crise econômica que o país atravessa desde meados de 2018.

Os números confirmam as expectativas geradas a partir das Primárias Abertas, Simultâneas e Obrigatórias (Paso), realizadas em setembro, quando a coalizão governista Frente de Todos foi derrotada na maioria das províncias, com 32,43% dos votos em todo o país. O oposicionista Juntos pela Mudança, liderado pelo ex-presidente Maurício Macri, obteve 41,53%.

Logo após a divulgação provisória dos resultados das primárias, Fernández prometeu que seu partido aprenderia com os erros. “Obviamente não fizemos bem algumas coisas porque as pessoas não nos acompanharam como gostaríamos”, disse. “A campanha apenas começou e, em novembro, teremos que vencê-la, porque temos um compromisso com a Argentina.”

A derrota levou ainda a uma crise na chapa governista e a uma ofensiva da vice-presidente Cristina Kirchner, que fez duras críticas à política econômica do presidente e pressionou por uma mudança de gabinete.

O governo apostou então em medidas populistas como a emissão de mais dinheiro e o congelamento de preços de cerca de 1,6 mil produtos por três meses. Também foram lançados programas como o Te Sumo, de estímulo à incorporação de jovens no mercado de trabalho, e o Argentina Programa, para incentivar as habilidades de programação.

A campanha eleitoral para as eleições legislativas terminou na última quinta-feira (11), em uma reta final marcada por crescentes tensões cambiais e insegurança.

Cerca de 34,3 milhões de argentinos estavam aptos a eleger 127 dos 257 deputados que compõem a Câmara para um mandato de quatro anos. Além disso, em oito províncias, também seriam escolhidos um total de 24 dos 72 senadores para os próximos seis anos.

Após o fechamento dos locais de votação, o ministro do Interior da Argentina, Eduardo de Pedro, afirmou a jornalistas que o processo eleitoral aconteceu com total normalidade. A taxa de comparecimento foi de 71%, o menor percentual desde a redemocratização no país.

Confirmado esse porcentual, a participação seria a menor dos últimos 38 anos, segundo o jornal La Nación. Na Argentina, o voto é obrigatório para todas as pessoas de 18 a 69 anos.

Com o avanço da vacinação contra a Covid-19, a votação ocorreu com medidas de segurança mais flexíveis, na comparação com as adotadas em setembro passado, nas primárias para o pleito legislativo.

Cerca de 90 mil agentes das Forças Armadas e outras corporações de segurança atuaram ao longo deste domingo, para garantir proteção às mais de 100 urnas, que foram distribuídas em, pelo menos, 17 mil pontos de votação no país.

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