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Protesto

Em repúdio aos EUA, Pequim convoca embaixador

Governo comunista diz que, ao receber líder tibetano, Barack Obama interfere em assuntos internos da China

Policiais passam diante de imagem de Obama na Embaixada norte-americana em Pequim: tensão aumenta | Jason Lee/Reuters
Policiais passam diante de imagem de Obama na Embaixada norte-americana em Pequim: tensão aumenta (Foto: Jason Lee/Reuters)

O governo da China convocou ontem o embaixador americano em Pequim, Jon Huntsman, para transmitir uma queixa formal pela reunião de quinta-feira en­­tre o presidente dos EUA, Barack Obama, e o dalai-lama, líder tibetano no exílio.

"O ato dos EUA interferiu grosseiramente nos assuntos internos da China, agrediu sentimentos nacionais do povo chinês e seriamente afetou os laços sino-americanos’’, disse hoje em comunicado Ma Zhaoxu, porta-voz da chan­­celaria.

O Tibete, agregou, é "parte inalienável do território chinês’’ e assunto "puramente doméstico’’.

Apesar da pressão chinesa, Obama e a chanceler Hillary Clin­­ton se reuniram com o líder religioso, que a China acusa de separatismo. Pequim se opõe a encontros de líderes estrangeiros com o dalai-lama e já cancelou cúpulas e adiou negócios com países co­­mo França e Dinamarca por causa de visitas do líder budista.

Para conter o estrago, a Casa Branca tratou o encontro com discrição. A imprensa não teve acesso, e Obama não deu declarações, apesar de uma foto da reunião ter sido divulgada na internet.

Mas a reação foi dura do mesmo jeito. "As palavras e ações do dalai-lama comprovam que ele não é uma figura religiosa pura, mas um exilado político engajado em atividades separatistas’’, disse o comunicado chinês.

O teor da conversa entre Hunts­­man e o vice-chanceler chinês, Cui Tiankai, não foi revelado por nenhum dos lados, mas a Em­­baixada dos EUA em Pequim in­­formou que a mensagem do lado norte-americano foi a seguinte: "Agora é o momento de avançarmos e cooperarmos de modo que beneficie os dois países, a região e o mundo."

O entendimento entre a China e os EUA é considerado vital para a solução de problemas globais, como mudança climática, a crise econômica e os programas nucleares do Irã e da Coreia da Norte.

Segundo o governo chinês, ao receber o líder tibetano, Obama desrespeitou três comunicados conjuntos assinados por Estados Unidos e China, cujos textos afirmam que o Tibete é parte inalienável do território chinês. Essa continua a ser a posição oficial de Washington. Após o encontro com o dalai-lama, a Casa Branca divulgou nota na qual afirmou que Obama manifestou apoio à preservação da identidade religiosa, cultural e linguística do Tibete.

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Ao receber o dalai-lama, Obama interferiu nos assuntos internos da China?

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