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oriente médio

Embaixada dos EUA em Jerusalém é inaugurada; protestos resultam em dezenas de mortos

Presidente Donald Trump não compareceu ao evento, mas disse que EUA estão "totalmente comprometidos" em facilitar um "acordo de paz duradouro" no Oriente Médio. Confrontos entre palestinos e forças israelenses já deixaram dezenas de mortos somente nesta segunda-feira (14)

  • Da Redação, com agências
Palestinos queimam pneus em protesto contra a inauguração da embaixada dos EUA em Jersusalém  na fronteira entre Faixa de Gaza e Israel | MOHAMMED ABEDAFP
Palestinos queimam pneus em protesto contra a inauguração da embaixada dos EUA em Jersusalém  na fronteira entre Faixa de Gaza e Israel MOHAMMED ABEDAFP
 
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A partir de hoje a embaixada dos Estados Unidos em Israel estará sediada em Jerusalém. A inauguração ocorreu nesta segunda-feira (14), no fim da tarde (local, fim da manhã no Brasil), com a presença da filha do presidente dos EUA, Ivanka Trump, o genro Jared Kushner e uma comitiva de líderes políticos, religiosos e comunitários.

Donald Trump não compareceu. Em um vídeo pré-gravado exibido durante cerimônia ele afirmou que seu país está "totalmente comprometido" em facilitar um "acordo de paz duradouro" no Oriente Médio. No fim do ano passado, numa decisão que gerou revolta nos territórios palestinos e a indignação de vários líderes mundiais, Trump decidiu transferir a representação diplomática dos EUA de Tel-Aviv para Jerusalém.  Ainda na gravação, Trump disse que os EUA estendem uma "mão de amizade" a Israel e palestinos e respeitam o status quo de locais religiosos em Jerusalém. 

A placa da nova embaixada dos EUA em Jerusalém foi revelada pelo Secretário de Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin, e por Ivanka Trump.

Mais cedo, ao menos 50 manifestantes palestinos morreram em confrontos com militares israelenses na cerca que divide a faixa de Gaza e Israel, no dia mais letal na região desde a guerra de 2014.

Em discurso na cerimônia de inauguração da representação diplomática, o genro de Trump, Jared Kushner, responsabilizou os palestinos pelos choques. "Como vimos nos protestos dos últimos dias e de hoje, os que provocam violência são parte do problema, não da solução", afirmou.

Kushner disse ainda que a abertura da embaixada será vista no futuro como o início do processo que supostamente levará a paz à região. Mas muitos analistas acreditam que a decisão inviabilizou de maneira definitiva qualquer negociação entre israelenses e palestino que seja mediada pelo EUA.  Marido de Ivanka Trump, Kushner foi escolhido pelo presidente dos EUA para comandar esse processo e deverá divulgar sua primeira proposta sobre o assunto nas próximas semanas.

Para a maioria dos moradores de Jerusalém, o grande público israelense e os líderes do país, o ato é motivo de grande celebração. Em um café da manhã comemorativo, o ministro da Justiça israelense Ayelet Shaked chamou Trump de "Churchill do século 21". "A Europa insiste em não aprender com a história. Ela fechou os olhos para o fortalecimento dos nazistas; hoje está escolhendo fechar os olhos para o fortalecimento do Irã. Em tal realidade em particular, é bom que o líder do mundo livre seja o presidente Trump", declarou.

Leia também: Acordo de paz fica mais distante com EUA instalando embaixada em Jerusalém

Um dia antes, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu disse a uma multidão, incluindo 250 senadores visitantes, congressistas, líderes comunitários e religiosos, que esta segunda-feira “será um dia histórico para nosso povo e para o nosso Estado".

"A decisão do presidente Trump de mudar a embaixada para Jerusalém afirma uma grande e simples verdade: Jerusalém tem sido a capital do povo judeu nos últimos três mil anos. Ela tem sido a capital do nosso estado nos últimos 70 anos. Ela continuará sendo nossa capital para todos os tempos ", disse Netanyahu.

Israel sente-se honrado pela decisão do governo de reconhecer sua capital como Jerusalém. Há 51 anos o país declarou soberania sobre a cidade, após a guerra árabe-israelense de 1967, mas a maioria dos países não reconhece o governo de Israel sobre a cidade, onde um terço dos moradores é palestino. E a maioria dos países afirma que suas embaixadas permanecerão em Tel Aviv até que israelenses e palestinos alcancem algum tipo de acordo de paz.

"Fora os EUA e alguns outros países, a maior parte do mundo é contra essa medida", disse Ayman Odeh, líder da facção árabe no parlamento de Israel, que apesar de ser convidado para a cerimônia de abertura, não vai ao evento. "Este é um movimento unilateral que fortalece a ocupação e nos afasta da paz", disse.

Guatemala e Paraguai também anunciaram que vão transferir suas embaixadas em Israel de Tel Aviv para Jerusalém.

"Este é um ato hostil contra o direito internacional e contra o povo da Palestina", disse Saeb Erekat, secretário-geral da Organização de Libertação da Palestina.

EUA inauguram sua embaixada em Israel em Jerusalém

Protestos e mortes

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Confronto entre soldados israelenses e palestinos na fronteira entre Faixa de Gaza e Israel nesta segunda-feira (14)MAHMUD HAMSAFP

Milhares de pessoas participaram de um protesto nesta segunda-feira (14) na fronteira entre a faixa de Gaza e Israel, que deixou ao menos 52 palestinos mortos após confronto entre tropas israelenses e os manifestantes, que criticavam a mudança da embaixada americana para Jerusalém.

Segundo as autoridades palestinas, mais de 2.000 pessoas ficaram feridas, sendo 770 por ferimentos a bala, 86 em estado grave. Entre os mortos, pelo menos seis têm menos de 18 anos. Não há informações sobre vítimas israelenses. 

Segundo a agência de notícias Associated Press, é o maior número de mortos em um mesmo dia em confrontos entre Israel e palestinos desde 2014. 

 Com isso, este é o dia mais mais violento desde que os palestinos iniciaram uma onda de protestos há sete semanas - no dia 30 de março, foram 23 mortos e mais de mil feridos. Ao todo, já são 94 mortos no período. 

Chamados de "a grande marcha de retorno", os atos têm como principal alvo o aniversário de 70 anos da fundação de Israel, que ocorre nesta segunda (14) de acordo com o calendário gregoriano (a comemoração ocorreu em abril no calendário judaico). A data será comemorada em Jerusalém exatamente com a transferência da embaixada americana para a cidade. 

 Os palestinos planejam o maior de seus protestos para esta terça (15), quando relembram a "Nakba" (tragédia), como chamam a criação de Israel, quando cerca de 700 mil deles fugiram ou foram expulsos da região. 

Outro alvo dos protestos é o bloqueio feito por Israel e Egito contra a faixa de Gaza. Ele foi imposto em uma tentativa de minar o poder do Hamas, grupo islâmico considerado terrorista por Tel Aviv e Washington e que controla a região desde 2007. Na prática, porém, a facção conseguiu manter o controle sobre a faixa de Gaza, embora o bloqueio tenha piorado a condição de vida dos cerca de 2 milhões de moradores do local. 

Nesta segunda, alto-falantes foram usados nas mesquitas para convocar os palestinos a se juntarem ao ato, que seguiu o roteiro dos anteriores. Ele começou de forma pacífica, com os manifestantes se reunindo próximos da fronteira entre a faixa de Gaza e Israel, mas logo descambou em violência quando grupos menores tentaram furar a cerca que delimita a divisa. As tropas israelenses responderam abrindo fogo nos manifestantes, que começaram então a queimar pneus e a jogar pedras nos soldados. 

"Estamos animados para atacar e entrar", disse Mohammed Mansura, de 23 anos. Quando perguntado o que ele faria dentro de Israel, ele disse: "O que for possível, matar, atirar pedras”. Ele disse que não se importava que a liderança tivesse pedido protestos pacíficos.

Segundo o Exército israelense, a segurança foi reforçada nas cidades próximas da fronteira, para impedir que manifestantes que consigam furar a cerca cheguem até Jerusalém. 

Em Jerusalém, os protestos ocorreram no mesmo momento da inauguração da embaixada, em um bairro árabe a poucos quarteirões de distância. Mais de 1.000 policiais estão trabalhando com a embaixada dos EUA para coordenar a segurança para o evento. 

Manifestações menores estão ocorrendo em Washington, nos Estados Unidos, em frente ao Trump International Hotel. 

Leia mais: 5 respostas para entender tudo sobre Jerusalém

Hamas estimula protestos violentos

O Hamas tem apoiado as manifestações em Gaza, um grupo radical islâmico que é considerado terrorista por Tel Aviv e Washington. A facção controla a faixa de Gaza, que por isso é alvo de um bloqueio de Israel e do Egito.

"Nosso povo tem o direito de quebrar as paredes desta grande prisão", disse o líder do Hamas em Gaza, Yahya Sinwar, em um encontro com jornalistas estrangeiros no domingo. "Saímos para bater na parede da prisão e declaramos claramente que não aceitaríamos morrer devagar". 

Israel diz que o Hamas está usando as manifestações como uma oportunidade para realizar ataques, apontando que alguns dos mortos são militantes conhecidos.

"Minha recomendação para os moradores de Gaza: não fiquem cegos por Sinwar (o líder do Hamas), que está mandando suas crianças para se sacrificarem sem utilidade. Nós vamos defender nossos cidadãos de todas as maneiras e não vamos permtir que a fronteira seja cruzada", disse o ministro da Defesa israelense, Avigdor Lieberman.

Confrontos entre palestinos e israelenses na fronteira entre Faixa de Gaza e Israel

Repercussões

O secretário-geral das Nações Unidas (ONU), António Guterres, afirmou que está preocupado com o número de pessoas mortas na Faixa de Gaza durante os protestos contra a abertura da embaixada americana em Jerusalém. Guterres se manifestou nesta segunda-feira (14) em Viena, enquanto os confrontos ocorriam na região e assessores do presidente norte-americano, Donald Trump, inauguravam representação diplomática do país na cidade sagrada. 

"Estou particularmente preocupado com as notícias vindas de Gaza com o grande número de pessoas mortas", disse Guterres.

Por meio de sua conta nas redes sociais, o presidente Michel Temer lamentou os conflitos na região da Faixa de Gaza.

"Lamento profundamente os terríveis episódios de violência na fronteira entre Israel e a Palestina. Nossa solidariedade com os feridos e as famílias dos mortos. O Brasil faz um apelo à moderação, um chamado à paz", escreveu o presidente. 

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