Publicidade
Internacional

Embaixador dos EUA esclarece papel do papa na guerra após Vaticano reagir

Papa Leão XIV em momento de interação com membros da igreja católica.
Papa Leão XIV em momento de interação com membros da igreja católica. (Foto: Riccardo Antimiani / EFE)

Após o Vaticano reformular declarações que o embaixador dos Estados Unidos junto à Santa Sé, Brian Burch, fez ao The New York Times, o embaixador esclareceu que compreende que o papel do Papa Leão XIV como chefe de Estado é "inseparável" de seu papel como pastor universal da Igreja.

Durante uma entrevista em 23 de julho ao programa de notícias da EWTN "The World Over with Raymond Arroyo", Burch esclareceu que seus comentários de 9 de julho ao Times não pretendiam sugerir que as declarações de Leão sobre a política de guerra com o Irã deveriam ser vistas como orientação simplesmente diplomática — em vez de espiritual.

"Acho que há um mal-entendido", explicou Burch. "... [O papel do] papa como soberano universal da Santa Sé e como pastor universal — um pastor da Igreja universal — é inseparável."

A controvérsia surgiu de uma citação no artigo do Times na qual Burch disse: "Quando o papa age como líder soberano da Santa Sé, ele é coigual aos líderes mundiais." O artigo também parafraseou a posição de Burch dizendo que o embaixador argumentou que os comentários do papa sobre a guerra com o Irã não foram feitos como vigário de Cristo, mas sim como líder político do Estado da Cidade do Vaticano.

Sem nomear Burch, o diretor editorial do Dicastério para a Comunicação do Vaticano, Andrea Tornielli, posteriormente escreveu um artigo de opinião em 13 de julho dizendo que "mesmo quando fala sobre guerra e paz... o Sucessor de Pedro permanece, acima de tudo, um líder espiritual". Embora Leão seja um chefe de Estado, escreveu, isso "não significa que ele age ou fala como um político ao abordar questões relativas aos assuntos da humanidade".

Em sua entrevista com Arroyo, Burch contestou a caracterização do Times sobre suas opiniões, dizendo que o veículo "não entende exatamente as nuances da doutrina social católica e como aplicá-la".

"O papa tem esse papel duplo", disse Burch. "Ele é tanto o chefe do território soberano da Santa Sé, que tem relações diplomáticas com o mundo, mas inseparável disso está seu papel como pastor universal da Igreja Católica. E quando ele age, certamente age de modo a chamar o mundo a esses altos princípios morais, aos ideais de... como [a humanidade] deveria viver em conjunto."

Ao mesmo tempo, Burch insistiu que "há algumas questões práticas, contingentes e muito difíceis" que influenciam as decisões sobre entrar em guerra, o que, segundo ele, "é responsabilidade da sabedoria prudencial daqueles responsáveis pelo bem comum", que são líderes políticos como o presidente Trump.

"Tentei explicar [ao Times] onde há certas questões prudenciais", disse Burch. "Por exemplo, o que as informações de inteligência nos dizem sobre a situação no Irã? Onde está o diálogo? Como são as alianças regionais? O que o cenário de guerra implica?"

"Essas são questões muito contingentes e prudenciais que informam esta questão sobre o uso legítimo da força", acrescentou. "E acho que, para crédito do Santo Padre, ele é o pastor universal que está chamando a humanidade a esse alto ideal de tentar resolver esses tipos de conflitos sem violência, sem o uso da força."

Burch disse a Arroyo que não vê discordância entre Trump e Leão sobre o objetivo final pretendido: "Não há discordância sobre a paz, sobre desarmar o Irã, sobre a necessidade de diálogo inter-religioso, de liberdade religiosa".

"Onde está o desafio são os meios para chegar lá", disse Burch. Ele acrescentou que não é "uma surpresa, nem um choque, nem uma mensagem indesejada do Santo Padre que devemos buscar a paz, que devemos buscar maneiras de resolver esses tipos de conflitos sem o uso da força".

"Mas como você sabe, o pecado original existe, e há pessoas más neste mundo com intenções más que, se não forem impedidas, certamente poderiam causar danos enormes, danos catastróficos, no mundo", enfatizou o embaixador.

©2026 Catholic News Agency. Publicado com permissão. Original em inglês: U.S. Ambassador clarifies view on pope’s role in politics, war after Vatican response https://www.ewtnnews.com/world/us/burch-clarifies-views-pope-political-role

Use este espaço apenas para a comunicação de erros

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.