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A imprensa internacional está repercutindo o debate na Band realizado na noite de domingo (18), no qual o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), adversários no segundo turno da eleição presidencial, se confrontaram diretamente pela primeira vez nesta campanha.
O jornal argentino Clarín destacou as menções ao presidente do país vizinho, Javier Milei, e a outros líderes internacionais feitas pelo petista e por seu adversário, aliado do mandatário da Argentina.
“Lula mencionou o nome de Javier Milei ao questionar Bolsonaro, perguntando se o modelo liberal que ele pretende impor no Brasil é o mesmo que o libertário aplica na Argentina”, escreveu o Clarín.
“‘Você continua dizendo que o seu modelo é o modelo do Milei’, alfinetou Lula, emendando com perguntas: ‘Você sabe qual é o nível de pobreza na Argentina? Sabe qual é a taxa de desemprego? Sabe como está a economia?’. Diante do silêncio de Bolsonaro, provocou: ‘Já pediu a motosserra do Milei emprestada?’”, disse o jornal argentino.
O Clarín acrescentou que Flávio “não deixou por menos” e lembrou “para a câmera os laços do líder do PT com autocratas como Nicolás Maduro e Daniel Ortega, e também com o ex-presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad”.
O jornal francês Le Monde chamou o debate de “embate caótico”. “Um embate caótico entre os dois — que, por diversas vezes, chamaram um ao outro de mentiroso, trocaram acusações de corrupção e trouxeram à tona escândalos variados — sintetizou o tom de uma campanha eleitoral marcada pela hostilidade em uma nação profundamente polarizada”, afirmou.
O jornal português Diário de Notícias escreveu que o debate “foi marcado por poucas propostas, sucessivas trocas de ataques pessoais e acusações de corrupção, com o senador a apostar na segurança e o presidente brasileiro na defesa do legado”.
“As acusações de corrupção incluíram referências mútuas ao caso Banco Master e um desafio de Lula para que ambos abrissem as contas bancárias e o sigilo telefônico, entregando os elementos aos presidentes do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral. ‘Não tenho nada a esconder’, respondeu Flávio Bolsonaro, antes de acusar Lula de ter dinheiro ‘por fora’”, afirmou o DN, como é conhecido.
A agência americana Associated Press seguiu uma linha parecida, ao destacar o tom agressivo do debate.
“Analistas que esperavam que o atual ocupante [da presidência] e o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro buscassem conquistar os poucos eleitores indecisos ficaram decepcionados. As trocas de acusações acaloradas — que, por vezes, envolveram até mesmo familiares — tornaram-se, em certos momentos, inaudíveis, deixando pouco espaço para discussões sobre planos para o futuro”, disse a AP.







