O futuro da Humanidade pode depender do venenoso enxofre, que disparado em grandes quantidades na atmosfera pode provocar uma espécie de "inverno nuclear", impendido o Sol de atravessar com tanta facilidade a camada de ar que cerca a Terra e atingir as pessoas com seus perigosos raios.
Elaborado pelo prêmio Nobel de Química em 1995 e descobridor do buraco da camada de ozônio, o holandês Paul Crutzen, 72 anos, o plano consiste em lançar enxofre na atmosfera terrestre utilizando canhões, o que poderia evitar o superaquecimento global.
A idéia do cientista, que parece ter sido tirada de uma história de ficção científica, consiste em refletir a luz dos raios solares ao espaço desde a estratosfera, mediante o lançamento de enxofre.
O efeito refletor, denominado Albedo e que depende da quantidade de radiação que incide sobre qualquer superfície, já existe na atmosfera porque "o ar não é limpo", afirmou o químico ao jornal austríaco Der Standard.
Poluição na estratosfera
Crutzen lembra que a poluição do ar também esfria o planeta, porque "as partículas refletem uma parte dos raios solares", gerando o seguinte dilema: "Se limpamos o ar, a Terra vai se aquecer. Eu penso em transferir isto à estratosfera".
A proposta do cientista é lançar sulfureto de hidrogênio na atmosfera. O dióxido de enxofre então é formado por oxidação, que também cria as partículas de ácido sulfúrico.
Crutzen destaca em suas declarações que o primeiro cientista a ter a idéia de levar partículas refletoras à estratosfera para reduzir a radiação solar foi o russo Michail Budikow, na década de 70.
A vantagem de um método como esse é que se pode ter um modelo natural para observar seu efeito quando um vulcão entra em erupção, já que ele também lança enxofre à estratosfera. "Depois da erupção do vulcão Pinatubo, nas Filipinas, em 1991, a temperatura global caiu meio grau durante dois anos e meio", lembra o químico.
Com a utilização de satélites, poderiam ser realizados estudos sobre o tempo que as partículas do sulfureto de hidrogênio permanecem na estratosfera, acrescenta.
Crutzen afirma que os "lamentáveis resultados" da política climática nos últimos três anos impulsionou suas investigações sobre as possibilidades de diminuir o aquecimento da Terra. "Muitos países produzem mais dióxido de carbono (CO2) do que o prometido em (a conferência meio ambiental de) Kioto, em 1997. Até a metade do século presente não espero nenhum tipo de alívio", prevê.



