
A primeira fase da maior campanha de erradicação de milhões de roedores terminou com sucesso na Geórgia do Sul, ilha do Atlântico Sul onde os roedores estavam destruindo milhões de aves marinhas ameaçadas de extinção.
Introduzidos na ilha pelos navios pesqueiros e de cimento nos séculos XIX e XX, os roedores devastaram a população local, mas a colocação, no ano passado, de iscas tóxicas em parte da ilha parece ter tido sucesso: cerca de 50 toneladas de raticidas foram espalhados por dois helicópteros em março, sobre uma zona de 150 m² cercada por geleiras. Inspecções subsequentes encontraram apenas ratos mortos - e esta fase cobriu apenas 13% da área infestada na ilha.
- Antes das iscas havia ratos correndo por toda parte à noite - explicou o coordenador do projeto, professor Tony Martin, da Dundee University.
A Geórgia do Sul, um território ultramarino britânico, é conhecida como lar de cerca de 30 milhões de aves. Pelo menos 31 espécies se reproduzem na ilha, entre elas albatrozes, petréis-gigantes-do-norte, cormorões de olhos azuis e metade de toda a população mundial de pinguins-macaroni. Outras 50 espécies são conhecidas por visitarem a ilha.
As aves que se assentam sobre a terra não têm predadores naturais mamíferos e, por isso, seus pintinhos e ovos estão indefesos contra os roedores, praticamente livres na ilha.
A erradicação de ratos tem sido tentada em outras ilhas, como Nova Zelândia e Austrália, mas nada comparado à escala da Geórgia do Sul. Esta campanha, aliás, não seria possível devido ao tamanho da área e número de ratos, mas a ilha britânica tem vários glaciais que dividem o território em regiões que podem ser, uma a uma, livradas dos ratos, que não conseguem cruzar as barreiras de gelo.
Inevitavelmente há danos colaterais para pássaros e outros animais selvagens que também podem ter consumido as iscas, mas a forma, cor e tamanho das iscas foram cuidadosamente projetados para minimizar as mortes acidentais.



