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Uma escola islâmica privada que funcionava havia 20 anos no norte de Londres passou a integrar, no começo deste mês, o sistema público de ensino da Inglaterra. A Barnet Hill Academy, localizada em West Hendon, deixou de cobrar mensalidades e se tornou a primeira escola islâmica mantida pelo conselho público de Barnet, distrito que reúne uma das maiores comunidades muçulmanas da capital britânica.
A mudança introduziu a instituição no modelo conhecido como voluntary aided, no qual uma escola recebe financiamento público e é mantida pela autoridade pública local, mas preserva seu caráter religioso e parte da autonomia sobre sua administração. Segundo o governo britânico, escolas desse tipo recebem recursos em condições semelhantes às demais instituições mantidas pelo Estado, embora a direção tenha de arcar normalmente com ao menos 10% de determinadas obras e investimentos estruturais.
A Barnet Hill foi fundada para oferecer, segundo a própria instituição, uma formação que combine ensino regular e educação islâmica. Mesmo depois da entrada no sistema público, a escola continuará dando prioridade nas matrículas a filhos de famílias muçulmanas praticantes. Pelas regras divulgadas para este ano letivo de 2026/27, a preferência alcança famílias que frequentam mesquitas regularmente e seguem princípios ligados à tradição sunita.
O caso da Barnet se soma a uma presença que aumentou ao longo dos últimos anos no ensino financiado pelo Estado inglês. Em 2010, dados do Departamento de Educação do país registravam apenas 11 escolas muçulmanas entre as instituições mantidas pelo poder público na Inglaterra. Em relatório de 2022/23, a Ofsted, órgão responsável pela fiscalização das escolas inglesas, já contabilizava 34 escolas islâmicas financiadas pelo Estado.
Apesar do crescimento, elas ainda representam uma parcela pequena das escolas religiosas mantidas com recursos públicos na Inglaterra. Das 6.830 instituições religiosas financiadas pelo Estado contabilizadas pela Ofsted naquele levantamento, 6.720 eram cristãs, 52 judaicas e 34 muçulmanas. Contudo, o número indica um avanço no modelo dentro do sistema público de ensino.
Escolas islâmicas já funcionam em diferentes cidades
Londres concentra algumas das escolas islâmicas mais antigas financiadas pelo Estado. No distrito de Brent, no noroeste da capital britânica, a Islamia Primary School atende crianças de quatro a 11 anos e mantém sua identidade religiosa dentro da rede pública. Em Lambeth, no sul de Londres, a Iqra Primary School também recebe recursos públicos e pratica os ensinamentos do Alcorão na rotina escolar.
A presença dessas instituições também se estende a outras regiões da Inglaterra. Em Bradford, cidade de West Yorkshire, no norte do país, a Feversham Girls’ Secondary Academy atende cerca de 800 meninas e integra o sistema financiado pelo Estado desde 2011. A escola pratica ensino muçulmano e afirma que o islamismo está presente nas aulas e em outras atividades, com conteúdos voltados ao aprendizado da própria fé e de outras religiões.
Já em Bolton, na região metropolitana de Manchester, a Bolton Muslim Girls School reúne mais de 750 alunas e recebe financiamento público desde 2016. A instituição afirma que os princípios islâmicos orientam sua rotina e estão presentes no currículo escolar, nas assembleias, no uniforme e nos valores transmitidos às estudantes.
No País de Gales, também existem escolas islâmicas, mas as instituições identificadas pela reportagem ainda funcionam 100% de forma independente, fora da rede pública financiada pelo Estado.
População muçulmana aumentou em todo o Reino Unido
A expansão das escolas islâmicas ocorre em paralelo ao crescimento da população muçulmana em todo o Reino Unido. Segundo o censo britânico de 2021, o número de moradores que se identificaram como muçulmanos na Inglaterra e no País de Gales passou de 2,7 milhões, ou 4,9% da população, em 2011, para 3,9 milhões, ou 6,5%, em 2021.
A mudança é ainda mais visível em Londres. No censo de 2021, 15% dos moradores da capital se declararam muçulmanos, ante 12,6% dez anos antes.
Os dados indicam que a imigração tem peso importante no aumento dessa população. Em 2011, 53% dos muçulmanos que viviam na Inglaterra e no País de Gales haviam nascido fora do Reino Unido. Em 2021, essa proporção caiu para 48,6%. Contudo, a parcela de muçulmanos nascidos no país aumentou de 47% para 51,4%. A população muçulmana também é mais jovem que a média do país. Em 2021, a idade média desse grupo era de 27 anos, contra 40 anos entre a população em geral da Inglaterra e do País de Gales.
Um levantamento feito pelo Escritório Nacional de Estatísticas com os registros de nascimento de 2025 mostra que o nome Muhammad foi, pelo terceiro ano consecutivo, o nome masculino mais registrado na Inglaterra e no País de Gales, dado a 5.957 meninos.







