Oslo Um prêmio para a liberdade de expressão assim foi interpretada a escolha da Academia Sueca, que ontem anunciou o escritor turco Orhan Pamuk como o vencedor do Prêmio Nobel de Literatura deste ano. Pamuk, que esteve em 2005 na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), deverá receber, em 10 de dezembro, uma condecoração e o prêmio, avaliado em US$ 1,36 milhão.
Aos 54 anos, ele, que há três vive em Nova Iorque, divide opiniões no país natal desde fevereiro de 2005, quando, numa entrevista a um jornal suíço, afirmou: "Um milhão de armênios e 30 mil curdos foram assassinados nessas terras e ninguém, exceto eu, atreve-se a falar sobre o tema."
A referência ao assassinato massivo de armênios durante o Império Otomano, assim como o conflito curdo no sudeste do país, provocou uma onda de protestos na Turquia, resultando em ameaças de morte e até na tentativa de destruição dos livros dele, pedido por um oficial de província, mas logo anulado pelo governo turco. A rapidez deveu-se aos cuidados com que a Turquia trata de questões relacionadas aos direitos humanos, uma vez que aspira a pertencer à União Européia (UE). "Lamento que a existência de dois pólos culturais, Oriente e Ocidente, tenha sido co-responsável pela morte de muitas pessoas", disse, em Nova Iorque, revelando-se honrado e surpreso com o prêmio. "Meu trabalho é a melhor mostra do quão frutífera pode ser a mistura de culturas."
"O prêmio não mudará meus hábitos de escrita", prometeu aos leitores. Pamuk acumulou prêmios literários no exterior (entre eles o prestigiado Prêmio da Paz dos livreiros alemães em outubro de 2005).
Traduzido em 34 línguas (no Brasil, a Companhia das Letras editou "Meu Nome É Vermelho" e lança, nos próximos dias, "Neve") e respeitado na Europa, Pamuk ainda desperta uma relação de amor e ódio na Turquia.
Nascido em Istambul, Pamuk estudou na Universidade Técnica de Arquitetura e de Jornalismo na capital turca e começou a publicar seus primeiros romances a partir de 1974.



