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Arquivos liberados

Espião russo? Polônia investigará relação de Epstein com Moscou 

EUA divulgam novos detalhes dos arquivos que envolvem o falecido financista Jeffrey Epstein (Foto: Jason Szenes/EFE/EPA)

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O primeiro-ministro da Polônia, Donald Tusk, anunciou nesta terça-feira que o país investigará a possível relação do falecido criminoso sexual Jeffrey Epstein com a Rússia, após a divulgação de arquivos que sugerem um vínculo com a inteligência de Moscou.

Tusk afirmou em uma reunião do governo que as autoridades criariam uma equipe para investigar quaisquer possíveis repercussões dos crimes de Epstein na Polônia, em particular em relação ao que ele disse ser um possível envolvimento dos serviços secretos russos.

"Cada vez mais pistas, mais informações e mais comentários na imprensa internacional apontam para a suspeita de que este escândalo de pedofilia sem precedentes foi coorganizado pelos serviços de inteligência russos", afirmou o premiê, sugerindo que os serviços de inteligência russos podem ter material comprometedor contra "muitos líderes ainda em atividade".

Desde a divulgação dos novos documentos pelo Departamento de Justiça dos EUA, cresceram as suspeitas de que Jeffrey Epstein possa ter atuado como um espião a serviço de Moscou.

Mais de mil documentos revelados nos últimos dias, principalmente conversas com pessoas não identificadas, citam o ditador Vladimir Putin e mais de nove mil fazem alguma menção à Rússia.

Um dos arquivos sugerem, inclusive, que Jeffrey Epstein pode ter se encontrado pessoalmente com Putin durante uma viagem, mesmo após a condenação de 2008.

Em um e-mail datado de 11 de setembro de 2011, um remetente anônimo discutiu planos para um "encontro com Putin" na próxima viagem de Epstein à Rússia.

“Conversei com Igor. Ele disse que da última vez que você esteve em Palm Beach, você lhe contou que tinha um encontro marcado com Putin no dia 16 de setembro e que ele poderia reservar sua passagem para a Rússia para chegar alguns dias antes de você”, diz o e-mail.

Em outra conversa, datada de maio de 2013, Epstein escreveu um e-mail para o então secretário-geral do Conselho da Europa, Thorbjorn Jagland, dizendo que queria ajudar Putin e a Rússia a "reinventar o sistema financeiro".

E outra nota enviada em 2014 sugeria um novo encontro entre o russo e o financista.

Há ainda menções a jovens russas que teriam sido oferecidas ao ex-príncipe Andrew. Em um dos arquivos já divulgados, Epstein se referiu a uma acompanhante como “russa, bonita e confiável”.

Mas as pistas que indicam uma relação próxima com os serviços de inteligência russo vão além desses contatos. Em 2010, Epstein enviou um e-mail a um associado oferecendo-se para ajudá-lo a obter um visto russo. Na ocasião, ele explicou: "Tenho um amigo de Putin, devo pedir a ele?".

Na visão de alguns analistas que sugerem esse vínculo de Epstein com Moscou, o recrutamento de acompanhantes russas pode sinalizar que o financista pode ter gerido uma operação clássica de "kompromat", uma tática russa de juntar material comprometedor contra figuras poderosas a fim de chantageá-las. Nessa linha, o criminoso sexual estaria atraindo cada vez mais magnatas influentes dos negócios, da comunicação e políticos para encontros sexuais com as mulheres e gravando esses encontros para fins de chantagem.

Em um dos e-mails que escreveu em 2015 para Sergei Belyakov, então vice-ministro do Desenvolvimento Econômico da Rússia e graduado da Academia do FSB (Serviço Federal de Inteligência da Rússia), Epstein mencionou “uma garota russa" de Moscou que estava tentando chantagear um grupo de empresários poderosos em Nova York. O financista escreveu na ocasião que "isso era muito ruim para os negócios de todos os envolvidos”.

Em um e-mail subsequente, ele parece ter traçado uma estratégia para lidar com a mulher.“Você deve saber que achei necessário contatar alguns amigos do FSB”, escreveu.

Além de ameaçá-la, Epstein também sugeriu suborná-la com alguns milhares de dólares por mês "durante os próximos dois anos" em troca de ela desistir da tentativa de chantagem.

Em outro arquivo liberado, de 2013, Epstein escreveu que havia boatos de que o bilionário Bill Gates precisava de medicamentos "para lidar com as consequências do sexo com garotas russas" e outra alegação de que o fundador da Microsoft tentou esconder de sua então esposa, Melinda Gates, uma infecção sexualmente transmissível.

Um porta-voz de Gates considerou as alegações como "absurdas e completamente falsas".

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