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A esposa do ditador Daniel Ortega, Rosario Murillo, “copresidente” do regime sandinista, fez comentários ofensivos contra a oposição no exílio da Nicarágua e a Organização dos Estados Americanos (OEA), que deve realizar até o começo de setembro uma reunião de chanceleres para discutir a proposta da ditadura de não realizar mais eleições.
“Quem são os delinquentes e traficantes de honra? Quem são os mentecaptos? Quem são os malfeitores e canalhas? Quem são os mercenários desprezíveis? São os descendentes de William Walker”, afirmou Murillo nesta semana por meio dos canais oficiais de comunicação do regime, citando o aventureiro americano que se autoproclamou presidente da Nicarágua em 1856 e acabou expulso do país no ano seguinte.
Em 19 de julho, durante um evento em Manágua em comemoração pelo 47º aniversário da Revolução Sandinista, Ortega declarou que não haverá mais eleições na Nicarágua, para evitar que a oposição “tente tomar o poder”.
Depois de ampla condenação internacional, o regime voltou atrás e disse que ainda haverá eleições no país, mas que “golpistas” e “traidores da pátria” não poderão participar – na prática, vetando a participação de qualquer pessoa que não seja autorizada pela ditadura sandinista.
Segundo informações da agência EFE, Murillo anunciou no pronunciamento que a Assembleia Nacional, o Legislativo nicaraguense aparelhado pelo sandinismo, se reunirá neste sábado (22) para discutir avanços em uma proposta de reforma constitucional para sacramentar essas restrições.
“Temos uma pátria aqui! E o que devemos fazer, como patriotas? Primeiro, ignorá-los [oposição], porque não são ninguém; mas também expô-los como os foragidos ridículos que são, sem coragem e sem voz própria, formam legiões de mentirosos no que chamam de redes sociais. São redes onde se manifestam a vaidade, a ganância, o egoísmo, a maldade, legiões de mentirosos”, disparou Murillo.
A Nicarágua é governada desde 2007 por Ortega, que se mantém no poder por meio de eleições fraudulentas, com veto à participação de oposicionistas e com a presença de observadores internacionais exclusivamente alinhados ao regime.







