Washington - A influência e o poder dos Estados Unidos no planeta podem cair de modo significativo nas próximas duas décadas, sendo determinantes para abalar a posição do país como primeira potência mundial. O alerta foi feito pelo Conselho de Inteligência Nacional (NIC, na sigla em inglês), um organismo que coordena o trabalho de todas as agências de inteligência do país. De acordo com a análise do NIC, divulgada ontem, o domínio econômico, militar e político de Washington diminui de "maneira alarmante".
O conselho destaca que, com a perda de poder dos EUA, China, Rússia, Índia e Brasil vão crescer no cenário internacional, ganhando terreno onde os americanos são os mais influentes.
Esses países trarão mais competitividade ao cenário econômico mundial e deixarão o sistema internacional mais multipolar.
O documento afirma, ainda, que a atual crise financeira é o começo de uma grande mudança na economia global, com transferência de renda do Ocidente para o Oriente e enfraquecimento do dólar. Outro alerta: nesse período, os EUA passarão por grave falta de água e de comida.
Para o NIC, a grande meta das próximas duas décadas será combater o aquecimento global e seu forte impacto.
O relatório aponta, entretanto, que os EUA tem condições de reverter esse quadro "inóspito" que espera o futuro presidente, Barack Obama.
O trabalho é realizado a cada quatro anos pela entidade, que reúne a CIA e outros 15 órgãos de inteligência norte-americanos.
A Rússia e o Canadá são apontados como prováveis vítimas do aquecimento global. Porém isso pode ter um fator positivo: facilitará o acesso a campos de petróleo no norte desses países. Moscou ainda pode ter seu caminho para se tornar uma potência mundial prejudicado pelo crime organizado, pela corrupção e pela falta de investimento no setor de energia.
O relatório aponta ainda que um país do Leste Europeu pode até ser completamente dominado pelo crime organizado, porém não cita qual seria essa nação. Países da África e do sul da Ásia também podem enfrentar instabilidades, por causa da violência, da falta de alimentos e água, além do aumento populacional.



