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Oriente Médio

Estreito de Ormuz, rota do petróleo global, se torna epicentro da guerra

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Navios petroleiros cruzando o Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial (Foto: ALI HAIDER/EFE/EPA)

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O Estreito de Ormuz, rota estratégica do comércio global de energia, ganhou destaque na guerra travada entre EUA e Israel contra o regime do Irã nos últimos dias. A passagem marítima, assim como seus arredores, se tornou um verdadeiro campo de batalha entre as forças adversárias no conflito e um risco para petroleiros que utilizam rotineiramente a via marítima.

Mais de uma dezena de navios já foi atacada na região desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, e o conflito fez com que o tráfego pela região caísse até 90% nas últimas semanas, segundo avaliação da empresa de análises de dados e mercado Kpler.

Localizado entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, é por este estreito que passam em média 144 navios por dia, dos quais 37% são petroleiros, 17% navios porta-contêineres e 13% graneleiros, de acordo com dados da ONU sobre a Revisão do Transporte Marítimo de 2025. A passagem é responsável por receber cerca de 20% da produção mundial de petróleo bruto do mundo, assim como o gás natural liquefeito e fertilizantes, sendo este último um elemento que preocupa o governo brasileiro.

A atual escalada militar na região interrompeu o tráfego marítimo por essa via devido a ameaças constantes do Irã, que controla a rota. O país está permitindo seletivamente a passagem de alguns navios pelo estreito. A agência Reuters noticiou que dois navios de gás liquefeito de petróleo (GLP) com bandeira indiana receberam autorização para navegar pelo Estreito e o Ministro dos Transportes e Infraestrutura da Turquia disse separadamente que o Irã permitiu que um navio de propriedade turca atravessasse a passagem.

Neste domingo (15), o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, alegou que o país está aberto a negociações com países que desejam acessar o Estreito de Ormuz "com segurança". Segundo ele, o regime já recebeu diversos contatos para tratar do assunto, sem citar os nomes desses países.

As repercussões resultantes da guerra vão além da região, afetando os mercados de energia, o transporte marítimo e as cadeias de suprimentos globais. O aumento dos custos de energia, fertilizantes e transporte – incluindo frete, preços do combustível marítimo e prêmios de seguro – pode elevar os preços dos alimentos e intensificar a pressão sobre o custo de vida em muitos países.

Estreito de Ormuz é rota de conflito constante

Durante anos, as autoridades persas ameaçaram repetidamente Israel e os EUA com o bloqueio do tráfego marítimo, especialmente deste último, em resposta às sanções impostas por Washington devido ao seu programa nuclear.

No contexto de uma crise pré-guerra com os EUA, em fevereiro, o Irã informou o fechamento temporário de certas áreas da zona devido à realização de manobras navais no Estreito de Ormuz.

Anteriormente, em 21 de junho de 2025, o Parlamento iraniano aprovou seu fechamento após a nova administração dos EUA, de Donald Trump, ordenar o bombardeio do Irã no contexto do conflito entre Israel e o país persa.

Devido à sua localização geográfica, o Golfo Pérsico tem sido palco de inúmeros incidentes nos últimos anos, incluindo ataques e apreensões de petroleiros e navios de carga.

A questão das minas e as avaliações americanas para escolta na região

Uma das estratégias do Irã para impedir a passagem de embarcações americanas, israelenses e de aliados na rota estratégica é o uso de minas navais, equipamentos explosivos posicionados no mar para danificar severamente os navios.

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse nos últimos dias que os EUA destruíram quase todos os navios minadores iranianos no Estreito de Ormuz "em uma única noite". Ainda, segundo ele, praticamente toda a marinha iraniana foi eliminada desde o início da ofensiva contra Teerã.

O Comando Central dos EUA (Centcom) disse oficialmente que, desde a descoberta do posicionamento de minas navais pelo regime islâmico, pelo menos 16 embarcações utilizadas na rota para ameaçar a navegação foram totalmente eliminadas.

Um relatório do Congresso americano divulgado no ano passado sugere que o Irã possui entre 5.000 e 6.000 minas navais em serviço.

A crescente preocupação de países que utilizam a rota para escoamento de energia levaram os EUA a avaliarem a realização de escoltas pelo região. Uma decisão concreta ainda não foi tomada pelo governo Trump sobre a questão, que é vista como uma missão de alto risco e custosa para a Marinha dos EUA.

Neste sábado, o presidente americano fez um apelo a diversos países para a formação de uma coalizão internacional para desafiar o bloqueio do Irã no Estreito de Ormuz. Ele citou China, França, Japão, Coreia do Sul, Reino Unido e "outros que são afetados por esta restrição artificial".

Um alto funcionário do partido governista do Japão afirmou neste domingo (15) que Tóquio não descarta o envio de navios de guerra para defender o Estreito de Ormuz, conforme solicitado pelo presidente Trump, mas deixou claro que o país deve considerar a possibilidade com "cautela".

"Legalmente, não descartamos a possibilidade de emitir uma ordem de segurança marítima nos termos do Artigo 82 da Lei das Forças de Autodefesa, mas, dada a situação do conflito em curso, devemos tomar uma decisão com cautela", alertou Takayuki Kobayashi, chefe do conselho de políticas do Partido Liberal Democrático (PLD), durante um programa da emissora pública NHK.

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