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Estrutura

Estrutura em asa indica novos rumos em estudo de voo de pterossauro

Fóssil foi descoberto em 2001 na região da Mongólia Interior, na China. Ele é a única descoberta que apresentava tecido mole e membranas mais complexas

Fóssil do animal foi descoberto na China; à direita, imagem com lâmpada UV | Divulgação / Museu Histórico Nacional
Fóssil do animal foi descoberto na China; à direita, imagem com lâmpada UV (Foto: Divulgação / Museu Histórico Nacional)

Pesquisadores do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro descobriram estruturas nas asas dos pterossauros que podem dar um novo rumo aos estudos sobre o voo desses animais. A pesquisa foi baseada no fóssil de um Jeholopterus ningchengensis de aproximadamente 140 milhões de anos, descoberto em 2001 na região da Mongólia Interior, no nordeste da China. Este é o único fóssil de pterossauro no mundo onde foi encontrado tecido mole e, nele, foi possível identificar que as membranas alares dos animais são mais complexas do que se imaginava. Esta espécie tem 90 centímetros de envergadura.

"Antes, pesquisadores de todo o mundo achavam que os pterossauros não eram bons voadores, mas apenas planadores. Com o detalhamento da membrana alar e a identificação de três camadas de actinofibras, e não de uma como se pensava, descobrimos que eles poderiam contrair e expandir as asas como quisessem e, assim, estamos concluindo que eles eram voadores excepcionais", disse o coordenador do trabalho, Alexander Kellner.

O que os pesquisadores ainda não sabem é o material dessas actinofibras - podem ser de queratina, de colágeno ou mesmo fibras musculares. O estudo identificou ainda uma camada sobre o couro do animal que foram chamadas de picnofibras, semelhantes a pelos, que demonstram que eram animais de sangue quente.

Os pesquisadores usaram lâmpadas ultravioleta e filtros que refletem de forma diferenciada cada tipo de tecido. Com isso, identificaram que as camadas de actinofibras se entrelaçam, dando maior sustentabilidade para a asa. Agora eles querem descobrir a aerodinâmica dos pterossauros, que são vertebrados completamente diferentes de qualquer animal que existe hoje. O Brasil foi convidado para coordenar a pesquisa por ser considerado um país avançado no estudo da espécie. "Temos um dos melhores locais para encontro de fósseis desses animais, na Chapada do Araripe (Nordeste)", conta Kellner.

Atualmente há aproximadamente 185 espécies de pterossauros descritas de animais que surgiram há 220 milhões de anos e viveram em todos os continentes. Eles não são nem aves, nem dinossauros, mas são tidos como os primeiros vertebrados voadores do mundo. Além do Museu Nacional da UFRJ também participaram do estudo o Departamento Nacional da Produção Mineral, o Museu Jurássico de Eichstaedt, na Alemanha, e do Instituto de Paleontologia de Vertebrados e Paleoantropologia de Beijing, na China. O artigo com os resultados da pesquisa será publicado na revista científica inglesa "Proceedings of the Royal Society B".

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