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Declaração de paz

ETA põe fim ao terror e parte para a diplomacia

Grupo separatista que luta pela independência do País Basco desde 1959 pede diálogo com Espanha e França para resolver conflito

Três militantes encapuzados do ETA falaram em vídeo divulgado em site de jornal basco que “o ETA decidiu-se pelo fim definitivo da atividade armada” | Gara.net/AFP
Três militantes encapuzados do ETA falaram em vídeo divulgado em site de jornal basco que “o ETA decidiu-se pelo fim definitivo da atividade armada” (Foto: Gara.net/AFP)

O grupo separatista basco ETA, última grande guerrilha da Europa, anunciou ontem o fim de meio século de violência.

A luta do grupo Euskadi Ta As­­katasuna (Pátria Basca e Liberdade, no idioma basco) pela independência da sua região, dividida entre o norte da Espanha e o sul da França, já estava bastante enfraquecida nos últimos anos por causa da prisão de centenas de seus membros e da apreensão de muitas de suas armas.

"O ETA decidiu-se pelo fim de­­finitivo da atividade armada. O ETA convoca os governos espanhol e francês a abrirem um processo de diálogo direto com o objetivo de tratar da resolução do conflito", disse o grupo em comunicado difundido pelo jornal basco Gara e em um vídeo na internet, onde três guerrilheiros mascarados aparecem lendo o texto atrás de uma mesa, e ao final erguem os punhos.

O grupo vinha sofrendo intensa pressão do seu próprio braço político e de ex-integrantes agora presos para se dissolver. Os três militantes que aparecem no vídeo não explicaram se o ETA irá entregar suas armas, algo que o primeiro-ministro espanhol, José Luís Rodríguez Zapatero, diz ser uma condição para qualquer negociação com o ETA.

O governo espanhol saudou o anúncio. "Isso foi possível graças à bravura e à força da sociedade es­­panhola, guiada pelo Estado de direito, que triunfa hoje como a única forma possível para que as pessoas convivam", disse Zapa­­te­­ro. "Nossa democracia será sem ter­­rorismo, mas não sem memória."

O ETA havia declarado em janeiro uma trégua que Zapa­­tero disse ser insignificante se o grupo não entregasse suas armas. O governo socialista é profundamente impopular e deve perder a eleição geral de 20 de novembro, por causa da indignação popular com a crise econômica e o desemprego.

Analistas dizem que dificilmente a desarticulação do ETA será suficiente para que o PSOE (Partido Socialista) reverta essa tendência. O ETA não mata ninguém desde março de 2010, quando um policial fran­­cês foi assassinado por guerrilheiros que fugiam após cometer um roubo.

O governo espanhol diz que o ETA matou 829 indivíduos desde a sua fundação, em 1959. Na segunda-feira, líderes internacionais que participavam de uma conferência no País Basco haviam feito um apelo para que o ETA abandonasse a luta armada. Mas muitos políticos e órgãos de comunicação criticaram a conferência e suas conclusões, dizendo que ela havia servido como pretexto para que o braço político dos separatistas atraísse a atenção internacional e se fortalecesse para uma eventual negociação.

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