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Os Estados Unidos anunciaram nesta sexta-feira (20) a aplicação de restrições de visto contra três autoridades do governo do Chile. Os nomes dos envolvidos não foram divulgados pelo governo americano.
De acordo com o Departamento de Estado, os alvos teriam adotado condutas que prejudicaram a segurança regional no hemisfério. A decisão ocorre em meio à transição de governo no Chile. O atual presidente, Gabriel Boric, de esquerda, deixará o cargo no próximo dia 11 de março, quando assume o presidente eleito José Antonio Kast, identificado com a direita e considerado ideologicamente próximo à Casa Branca.
Em comunicado, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que as autoridades chilenas “deliberadamente dirigiram, autorizaram, financiaram, forneceram apoio significativo e/ou realizaram atividades que comprometeram infraestruturas críticas de telecomunicações e minaram a segurança regional em nosso hemisfério”.
Ele acrescentou que, nos momentos finais do mandato, o governo Boric deixa um legado “ainda mais manchado por ações que enfraquecem a segurança regional às custas, em última instância, do povo chileno”.
Chile reage e convoca embaixador dos EUA
O Ministério das Relações Exteriores do Chile reagiu dizendo ter sido surpreendido pela decisão e que não recebeu notificação oficial prévia. Em nota, o governo rejeitou as acusações e negou qualquer envolvimento em iniciativas que coloquem em risco a segurança do continente ou de outros países.
O chanceler Alberto van Klaveren convocou o embaixador dos Estados Unidos em Santiago, Brandon Judd, para prestar esclarecimentos sobre os fundamentos da medida e informar quem são as autoridades atingidas.
A chancelaria chilena também afirmou que o anúncio contraria o protocolo diplomático por ter sido feito sem aviso prévio e avaliou que a decisão não condiz com a “densidade e diversidade” do diálogo e da cooperação bilateral. O ministério destacou que os EUA são um aliado histórico e estratégico do Chile.
O Chile é o único país da América do Sul que integra o programa de isenção de visto dos Estados Unidos, o que permite, em regra, que seus cidadãos viagem ao território norte-americano sem necessidade de visto.
De acordo com o Departamento de Estado, as pessoas citadas e seus familiares imediatos tornam-se, de forma geral, inelegíveis para entrar no país americano. Os Estados Unidos cancelaram eventuais vistos americanos que eles possuíam. Rubio afirmou ainda que espera trabalhar com a futura administração de Kast em prioridades comuns de segurança no hemisfério.




