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Após semanas de perseguição

EUA interceptam petroleiro com bandeira russa que desafiou bloqueio na Venezuela

Imagem publicada na conta oficial do X do Comando Europeu dos EUA que confirma a interceptação do Marinera, antes conhecido como Bella 1, um petroleiro sancionado que desafiou o bloqueio na Venezuela (Foto: EFE/ Conta oficial no X do Comando europeu dos EUA)

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O petroleiro Bella 1, que posteriormente passou a ser identificado como Marinera, de bandeira russa, foi interceptado nesta quarta-feira (7) pelos EUA depois de escapar por semanas dos radares americanos em meio ao bloqueio ordenado pelo presidente Donald Trump em dezembro na Venezuela.

Por meio de um comunicado, autoridades de Washington informaram que as Forças Armadas abordaram o navio com o auxílio de helicópteros e pelo menos uma embarcação da Guarda Costeira ao sul da Islândia, após ele conseguir fugir da fiscalização nas últimas semanas. Na nota, os EUA afirmam ter "apreendido" a embarcação durante a operação militar sensível.

“A embarcação foi apreendida no Atlântico Norte em cumprimento a um mandado expedido por um tribunal federal dos EUA”, informou o Comando Europeu das Forças Armadas dos EUA nas redes sociais.

Um oficial familiarizado com o assunto disse ao The New York Times que não houve resistência da tripulação durante a abordagem.

A Rússia chegou a enviar pelo menos um navio de guerra para interceptá-lo e escoltá-lo de volta ao país, segundo um oficial americano informado sobre a operação, no entanto no momento da ação americana não havia embarcações de Moscou nas proximidades do petroleiro, evitando assim a possibilidade de um confronto direto entre as forças americanas e russas, concluíram dois oficiais americanos que falaram sob condição de anonimato ao Times.

Imagem do corpo da matériaVídeo publicado na conta oficial do X do Comando Europeu dos EUA que confirma a interceptação do Marinera, antes conhecido como Bella 1, um petroleiro sancionado que desafiou o bloqueio na Venezuela. Crédito: EFE/ Conta oficial no X do Comando europeu dos EUA

Dados de rastreamento de voos e detalhes abertos por dois oficiais americanos ao The Wall Street Journal revelam que os EUA mobilizaram aeronaves P-8 Poseidon, conhecidas por sua capacidade de caçar submarinos, e aviões de ataque AC-130J para auxiliar na operação de abordagem. 

Os EUA sancionaram o navio Bella 1 em 2024 por supostamente transportar petróleo iraniano do mercado negro em nome de organizações terroristas designadas pelos EUA e alinhadas a Teerã.

Depois da tentativa de abordagem dos EUA em dezembro e com a perseguição iniciada, a tripulação do Bella 1 pintou a embarcação com uma bandeira russa em sua lateral e mudou seu nome para Marinera, alterando também seu registro para a Rússia.

O petroleiro era sancionado pelos EUA desde 2024 por transportar petróleo iraniano no mercado ilegal para financiar organizações terroristas designadas pelos EUA e alinhadas a Teerã.

O Reino Unido anunciou posteriormente que forneceu apoio operacional aos EUA na interceptação do petroleiro. "As Forças Armadas do Reino Unido forneceram apoio operacional planejado, incluindo o estabelecimento de bases, aos meios militares dos EUA que interceptaram o Bella 1 na área da fronteira entre o Reino Unido, Islândia e Groenlândia, após um pedido de assistência dos EUA", afirmou o Ministério da Defesa britânico em comunicado.

Rússia reage à apreensão de petroleiro e diz que ação é "ilegal"

Por meio de seu canal no Telegram, o Ministério dos Transportes da Rússia denunciou o que chamou de "interceptação ilegal" do petroleiro Marinera, que navegava sob bandeira russa em águas internacionais.

O Ministério descreveu a interceptação como "ilegal", argumentando que ela violou a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar de 1982. "Hoje, por volta das 15h, horário de Moscou, em mar aberto e fora das águas territoriais de qualquer país, a embarcação foi interceptada pela Guarda Costeira dos EUA e a comunicação com o navio foi perdida".

De acordo com a pasta, o Marinera recebeu "permissão temporária" para navegar sob bandeira russa em 24 de dezembro de 2015, "concedida com base na legislação russa e no direito internacional".

No dia anterior, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia já havia expressado sua "preocupação" com a situação "anormal" criada em torno do petroleiro de bandeira russa.

Operação simultânea resultou em outra apreensão no Caribe

O Comando Sul dos EUA anunciou no mesmo dia que apreendeu um navio-tanque, chamado Sophia, no Caribe.

Segundo as informações preliminares divulgadas nesta quarta-feira, a embarcação estava envolvida com atividades ilícitas em águas internacionais e foi escoltada de volta aos EUA.

A Secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, divulgou imagens da abordagem, que aconteceu antes do amanhecer. “Os criminosos do mundo estão avisados. Vocês podem correr, mas não podem se esconder”, escreveu.

Ela acrescentou que a Guarda Costeira realizou as abordagens em coordenação com os departamentos de Defesa, Justiça e Estado dos EUA. De acordo com Noem, o petroleiro "havia atracado pela última vez na Venezuela ou estava a caminho de lá".

Um oficial americano disse ao The New York Times que a embarcação navegava falsamente sob a bandeira de Camarões. No entanto, o Comando apenas a identificou como parte da frota clandestina, a rede opaca de navios que transportam petróleo de países sancionados, como Venezuela e Irã, e que utiliza principalmente bandeiras de conveniência, como Panamá e Camarões.

Com essas duas novas apreensões, o número de petroleiros confiscados por Washington desde o início da campanha de pressão contra a ditadura venezuelana de Nicolás Maduro chegou a quatro. Maduro está atualmente detido em Nova York, enfrentando uma série de acusações relacionadas a narcoterrorismo.

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