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EUA prometem aumentar pressão sobre a Rússia e manter tropas na Síria

Mesmo após a ação dos EUA, França e Reino Unido contra a Síria, o ditador do país lançou novos ataques aéreos que atingiram civis

  • Da Redação, com agências
Imagem divulgada pelo Departamento de Defesa dos EUA mostra o míssil de ataque terrestre Tomahawk sendo disparado contra a Síria | KALLYSTA CASTILLO/AFP
Imagem divulgada pelo Departamento de Defesa dos EUA mostra o míssil de ataque terrestre Tomahawk sendo disparado contra a Síria KALLYSTA CASTILLO/AFP
 
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Na noite de sexta-feira (13), EUA, França e Reino Unido lançaram 105 mísseis contra três instalações de produção e armazenamento de armas químicas na Síria para punir o regime de Bashar al-Assad, alegando uso de armas químicas na cidade de Douma em 7 de abril.  

No dia seguinte, representantes do Pentágono afirmaram que o principal objetivo dos EUA na Síria era derrotar o Estado Islâmico e afirmar a proibição do uso de armas químicas e a contenção da presença do Irã na Síria. 

Mesmo após a ação Ocidental, as Forças Armadas da Síria lançaram, no domingo (15), ataques aéreos contra rebeldes e atingiram residências de civis.

Leia também: Seis coisas que você precisa saber sobre a guerra na Síria

Os EUA anunciaram que irão impor novas sanções à Rússia por apoiar Assad e também se manifestaram em relação à retirada de tropas na Síria. Além disso, a inspeção que estava programada no país não pôde ser realizada.

Confira abaixo seis perguntas e respostas sobre as últimas atualizações após o ataque à Síria:

Os EUA vão retirar tropas da Síria?

Declarações dadas neste domingo (15) por autoridades dos EUA e da França indicam que tropas americanas deverão permanecer na Síria além do prazo de seis meses sugerido pelo presidente Donald Trump para seu retorno. Enquanto mantêm a presença militar, os EUA deverão intensificar os esforços na busca de uma saída diplomática para a crise síria e aumentar a pressão sobre a Rússia. 

"Nosso trabalho na Síria não terminou", disse a embaixadora de Washington na ONU, Nikki Haley, em entrevista à Fox News. Em Paris, o presidente Emmanuel Macron, disse ter "convencido" Trump a abandonar a ideia de retirar os soldados. 

Haley mencionou que o cumprimento de três metas é necessário antes da saída dos 2 mil militares americanos da Síria: garantir que as armas químicas não sejam usadas, que o Estado Islâmico seja derrotado e que iranianos não ampliem sua presença no terreno. "O Irã é uma ameaça aos interesses americanos. Nós não vamos voltar para casa até que saibamos que alcançamos esses objetivos”, afirmou.

Por que a inspeção na Síria foi adiada?

A visita que inspetores internacionais fariam nesta segunda-feira (16) para analisar um suposto ataque químico na Síria foi adiada. Isso levou a uma troca de acusações entre a Rússia e potências ocidentais sobre a responsabilidade pelo atraso. 

O governo britânico disse que Damasco e Moscou impediram a ida dos agentes da Opaq até a cidade de Douma, onde teria acontecido o ataque no dia 7 de abril que deixou cerca de 40 mortos e 500 feridos.  

"O problema é a falta de garantias do Departamento de Segurança e Proteção da ONU para os especialistas da Opaq visitarem o local em Douma", disse o vice-ministro de Relações Exteriores da Rússia, Serguei Ryabkov. "O que tem impedido uma resolução rápida deste problema são as consequências da ação militar ilegal e ilegítima feita pelo Reino Unido e outros países no sábado", afirmou ele 

Em resposta, o representante britânico na Opaq, Peter Wilson, afirmou em entrevista coletiva em Haia, na Holanda, que a equipe foi liberada pela ONU para ir a Douma, mas não conseguiu chegar ao local porque Rússia e Síria não deram garantias de segurança. Ele disse que o acesso sem restrições ao local é necessário e que Damasco e Moscou devem cooperar com a investigação internacional.  

O enviado americano para a organização, Kenneth Ward, levantou a possibilidade da Rússia ter manipulado provas e ter alterado o local do suposto ataque químico. "Este conselho já demorou demais em condenar o governo sírio pelo seu reinado de terror químico e em exigir que os responsáveis por esses atos hediondos sejam punidos", disse ele. 

Por que os EUA vão impor novas sanções à Rússia?

A embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Nikki Haley, afirmou neste domingo que o país imporá mais sanções econômicas contra a Rússia. O motivo é o apoio de Moscou ao presidente sírio, Bashar al-Assad, e ao suposto uso de armas químicas. 

O secretário do Tesouro americano, Steven Mnuchin, anunciará nesta segunda-feira (16) as sanções, que afetarão companhias que "lidam com equipamento relacionado a Assad e o uso de quaisquer armas químicas". 

Haley disse que a Rússia precisa sofrer as consequências por proteger o regime de Assad. Ela lembrou que os russos vetaram seis resoluções do Conselho de Segurança da ONU sobre armas químicas. 

Como reagiram os aliados de Assad?

Assad afirmou neste domingo que os ataques aéreos do Ocidente contra seu país foram acompanhados por uma campanha de "mentiras e desinformação" no Conselho de Segurança da ONU. 

Os líderes da Rússia, Vladimir Putin, e do Irã, Hasan Rowhani, consideraram o ataque ilegal e concordam que a ação complica as perspectivas de resolução da guerra civil de forma pacífica. O mandatário russo afirmou que americanos, britânicos e franceses violaram a Carta das Nações Unidas e, se continuarem a fazê-lo, "inevitavelmente levarão o caos às relações internacionais". 

Já o iraniano falou que "alguns países ocidentais não querem que a Síria consiga estabilidade permanente" e que eles não deveriam permitir o surgimento de uma nova tensão que incendeie a região, informou a agência estatal Irna. 

Outro aliado da ditadura no combate contra os insurgentes, o líder do grupo radical islâmico xiita libanês Hizbullah, Hassan Nasrallah, considerou que os ataques liderados pelos EUA não foram capazes de quebrar a moral da Síria e de seus aliados. 

O que disseram França e Reino Unido após a ação?

Macron afirmou neste domingo que os ataques foram "retaliação, não um ato de guerra". Ele disse que os aliados tinham "plena legitimidade internacional para intervir" na Síria, porque os ataques eram sobre a aplicação do direito internacional humanitário. O líder francês afirmou que os aliados foram forçados a agir devido ao "constante impasse dos russos" no Conselho de Segurança. "Chegamos em um momento em que esses ataques se tornaram indispensáveis." 

Ele também afirmou que a França deseja lançar uma iniciativa diplomática sobre a Síria, que incluiria potências ocidentais, Rússia e Turquia. Ele ressaltou que a diplomacia francesa é capaz de conversar com o Irã, Rússia e Turquia de um lado e os EUA do outro. 

O ministro das Relações Exteriores do Reino Unido, Boris Johnson, afirmou esperar que não sejam mais necessários outros ataques contra a Síria. Segundo ele, porém, os britânicos e seus aliados avaliarão ações futuras, caso o presidente sírio volte a utilizar armas químicas. "O mundo tem dito que já basta", afirmou Johnson. Segundo ele, os ataques foram proporcionais e mostraram essa posição e que, "até agora, felizmente, o regime de Assad não foi tão tolo a ponto de lançar outro ataque com armas químicas". Caso isso ocorra, os aliados "irão estudar que opções teriam", comentou. 

Como a Comunidade Internacional reagiu ao ataque?

O ministro de Relações Exteriores da Alemanha, Heiko Maas, afirmou que espera que os ataques resultem em um novo esforço para encontrar uma solução pacífica para o conflito, que já dura sete anos. Maas disse que a ação “deveria deixar claro para todas as partes que não temos apenas a oportunidade, mas a necessidade de retomar o processo político". 

A União Europeia declarou que "entende" a necessidade da recente operação militar contra alvos na Síria. Em comunicado conjunto, os 28 ministros de Relações Exteriores da UE disseram que a ofensiva foi executada com "o único objetivo de evitar novo uso de armas químicas e substâncias químicas pelo regime sírio para matar seu próprio povo". Os ministros defenderam que a situação atual seja utilizada para iniciar negociações políticas e insistiram que "não pode haver uma solução militar para o conflito sírio". 

O ministro das Relações Exteriores brasileiro, Aloysio Nunes Ferreira, disse estar  preocupado com o aumento das ações militares na Síria. “Assim como já estávamos, reitero, muito preocupados com as graves denúncias sobre ataques químicos. Aguardamos a conclusão o mais rápido possível das investigações no âmbito da Opaq, para que se possa punir os responsáveis”, comentou.

O papa Francisco afirmou ter ficado "profundamente perturbado" pelo fracasso da comunidade internacional em elaborar uma resposta comum à crise na Síria e em outras partes do mundo. O pontífice disse que, "apesar dos instrumentos disponíveis para a comunidade internacional, é difícil concordar com uma ação comum para a paz na Síria ou em outras regiões do mundo". 

A Liga Árabe, formada por países do Oriente Médio e da África, pediu uma investigação internacional sobre o uso de armas químicas e condenou o que vê como interferência do Irã nos assuntos de outros países. O grupo pediu sanções à República Islâmica e exigiu a saída das milícias que auxiliam o regime de Bashar al-Assad na Síria e combatem no Iêmen, cujo governo pró-saudita enfrenta rebeldes desde 2015. 

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