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O argentino Fernando Cerimedo, ex-assessor do partido do presidente Javier Milei, A Liberdade Avança (LLA, na sigla em espanhol), foi preso na Bolívia no âmbito de uma investigação sobre um ataque a tiros sofrido por sua ex-companheira, uma ativista política, na região de Santa Cruz de la Sierra, informou a polícia local nesta terça-feira (18).
Segundo a agência EFE, Cerimedo, identificado pela imprensa local como assessor do presidente boliviano, Rodrigo Paz, foi preso por policiais no aeroporto de Viru Viru ao chegar a Santa Cruz de la Sierra procedente de La Paz, informou à imprensa o comandante departamental daquela região, coronel David Gómez.
Segundo Gómez, a polícia tomou conhecimento de que Cerimedo e a ativista Nadia Beller, vítima do ataque, tiveram “nos últimos dias um problema de natureza sentimental”, razão pela qual foi mobilizada a equipe do aeroporto de Viru Viru, em Santa Cruz de la Sierra, “onde se procedeu à prisão dessa pessoa”.
“Neste momento, [Cerimedo] encontra-se na Força Especial de Combate ao Crime [Felcc], aguardando que seja tomada a declaração informativa na presença do promotor e de seu advogado, com o objetivo de também cumprir o que estabelecem os procedimentos e a legislação vigente”, afirmou o chefe policial.
A polícia investiga se Cerimedo teve “algum tipo de participação” no ataque contra Beller e “a investigação confirmará ou descartará as hipóteses” que os policiais estão analisando, acrescentou Gómez.
Cerimedo é fundador e diretor do portal La Derecha Diario e é conhecido por seus confrontos com jornalistas e adeptos da esquerda.
Em 2022, após a eleição presidencial no Brasil, Cerimedo, que mantinha relação próxima com o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), divulgou um vídeo no canal do portal do YouTube no qual alegou que os modelos mais antigos de urna eletrônica (de 2009, 2010, 2011, 2013 e 2015) tenderiam a registrar mais votos para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva que para Jair Bolsonaro, especialmente em estados do Nordeste. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negou as acusações.
De acordo com as informações da EFE, Nadia Beller, advogada, ativista e analista política que já teve vínculos com a esquerda e a direita bolivianas, foi agredida na noite de segunda-feira (17) por dois desconhecidos quando se encontrava na entrada de um hotel na cidade de Santa Cruz de la Sierra, a mais populosa do país.
Nas imagens de uma câmera de segurança divulgadas pela imprensa local, é possível ver o momento em que dois homens vestidos como entregadores de comida se aproximam de Beller. Um deles atira várias vezes nela, enquanto o segundo rouba seus pertences e foge.
Segundo o comandante da polícia de Santa Cruz de la Sierra, os homens chegaram ao local em uma motocicleta que não funcionou quando tentavam fugir, motivo pelo qual roubaram outra moto de uma pessoa que estava em frente ao hotel onde ocorreu o ataque.
Gómez informou que Beller foi levada a uma clínica, onde passou por uma cirurgia para a remoção das balas, e aguarda-se sua recuperação para que ela preste depoimento sobre o ocorrido.
A defesa de Cerimedo não se pronunciou ainda sobre o caso. Porém, em julho, ele havia negado relatos de violência doméstica.
“Nas últimas semanas, começaram a circular, através de sites sem qualquer credibilidade e com clara ligação com Evo Morales, publicações totalmente falsas sobre um suposto ato de violência doméstica atribuído a mim, mandado de prisão, fuga...”, escreveu Cerimedo no X.
“Em nome da verdade, tal fato jamais ocorreu. Não existe denúncia, mandado de prisão, investigação ou qualquer prova que sustente tal acusação. Trata-se de uma mentira disseminada com o único objetivo de prejudicar a reputação de duas figuras públicas para fins políticos”, alegou na ocasião.
O governo da Bolívia solicitou nesta terça-feira uma investigação “séria e aprofundada” sobre o ataque contra a ex-companheira de Cerimedo.
“Atualmente, o senhor Cerimedo está à disposição das autoridades competentes e, neste momento, a investigação está sob a jurisdição do Ministério Público. Na Bolívia, ninguém está acima da lei e solicitamos uma investigação séria e aprofundada sobre este assunto”, afirmou o ministro boliviano do Interior, Marco Antonio Oviedo.







