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Carta aberta

Ex-vice de Ortega indaga Lula sobre posicionamento em relação ao regime da Nicarágua na OEA

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O Brasil foi o único país a votar contra resolução na OEA para pressionar ditadura de Ortega (Foto: EFE/Andre Borges)

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O escritor e ex-vice-presidente do primeiro governo de Daniel Ortega, Sergio Ramírez, publicou uma carta aberta direcionada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no jornal espanhol El País, questionando-o sobre a posição do Brasil em uma votação no Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA), em 5 de agosto.

Na ocasião, os países membros aprovaram, por esmagadora maioria, uma resolução para convocar uma reunião extraordinária de ministros das Relações Exteriores do hemisfério com a finalidade de discutir a situação eleitoral da Nicarágua, após as falas do ditador Daniel Ortega de que o país não teria novas eleições. No entanto, dois países presentes votaram diferente na iniciativa dos EUA: o México se absteve e o Brasil votou contra.

Durante a sessão, o subsecretário de Estado dos Estados Unidos para Assuntos do Hemisfério Ocidental, Michael Kozak, afirmou que a situação da Nicarágua deixou de ser apenas uma questão interna e passou a representar uma preocupação para a estabilidade regional.

A ministra-conselheira da embaixada brasileira junto à OEA, Thaís Mesquita Candia Pecoraro, disse na ocasião que o governo Lula considera que a crise na Nicarágua deve ser tratada como uma "questão política e de direitos humanos", e não como um tema relacionado à segurança regional.

Ramírez citou a justificativa apresentada pelo Brasil durante a votação: “Somos todos a favor dos direitos humanos. Mas não queremos que nenhum medicamento mate o paciente”.

Na carta direcionada ao petista, nesta terça-feira (25), o ex-integrante do governo sandinista, que perdeu sua nacionalidade nicaraguense em 2023 a mando de Ortega, declarou que o posicionamento brasileiro na OEA demonstra um "afastamento radical" na defesa da democracia. "O paciente, que enterra as eleições e se estabelece como um ditador perpétuo, poderá viver muitos anos em suporte de vida", afirmou Ramírez.

O ex-presidente da Nicarágua, então, fez um apelo a Lula: "Não negue à Nicarágua, Sr. Presidente, o direito de escolher livremente; o mesmo direito que pode garantir ao senhor ser novamente presidente do Brasil".

Ramírez ainda disse que Lula não pode arriscar criar uma "terrível confusão que leve o povo da Nicarágua a acreditar que a única maneira do Brasil se posicionar claramente contra Ortega e a ditadura de sua família seria com 
a eleição de Flávio Bolsonaro e tudo o que ele representa".

Em julho, o governo Lula divulgou uma nota por meio do Itamaraty, manifestando “preocupação” a respeito do anúncio de Ortega de abolição das eleições no país centro-americano. Em resposta, Manágua afirmou que se trata de “nossa democracia, nossas eleições”.

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