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"Cápsula do tempo"

Expedição encontra navio do século XVI escondido a 2.500 metros de profundidade

Um navio com mais de 400 anos foi encontrado por acaso, em expedição francesa.
Um navio com mais de 400 anos foi encontrado por acaso, em expedição francesa. (Foto: Unsplash)

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Um navio mercante praticamente intacto datado do século XVI foi encontrado a 2,6 quilômetros abaixo da superfície do Mar Mediterrâneo, na região costeira da França. A embarcação – escondida nas profundidades do oceano por mais de quatrocentos anos – foi classificada pela equipe de arqueólogos como “uma verdadeira cápsula do tempo”.

O barco, batizado como Camarat 4, em referência a um famoso cabo rochoso local, trata-se do naufrágio mais profundo já encontrado na França e um dos mais profundos de toda a Europa.

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Condições extremas garantiram preservação do navio por cinco séculos

A notável descoberta ocorreu por acaso, durante uma operação exploratória da Marinha Francesa durante testes de ferramentas subaquáticas, em março do ano passado.

“De repente, o sonar detectou algo bastante grande, então retornamos com a câmera do dispositivo e, em seguida, novamente com um robô subaquático para capturar imagens de alta qualidade”, revelou o vice-prefeito marítimo, Thierry de la Burgade, à agência de notícias AFP.

As condições em que a peça arqueológica foi encontrada chamaram a atenção dos cientistas, visto que o navio mercante encontrava-se preservado da degradação e de saqueadores. Isto deve-se ao fato das condições extremas do local, cujas baixas temperaturas, baixa luminosidade e ausência de correntes oceânicas conservaram o barco por cinco séculos.

Navio com mais de 400 anos é encontrado a mais de 2.500 metros de profundidade.Navio com mais de 400 anos é encontrado a mais de 2.500 metros de profundidade. (Foto: Unsplash)

A embarcação possui cerca de 30 metros de comprimento e sete metros de largura, e sua carga reúne centenas de jarras de cerâmica decoradas, com bicos afunilados, pratos de cerâmica amarela e barras de metal – estas últimas envoltas em fibras vegetais para protegê-las da umidade.

A mercadoria foi fundamental para identificar a origem e data do navio: os jarros e demais itens possuem características de confecção comuns do século XVI na região da Ligúria, noroeste da Itália, como a inscrição “IHS”, que representa as três primeiras letras do nome de Jesus Cristo na língua grega.

Além dos itens de cerâmica e metal, os arqueólogos também encontraram um canhão, fundamental em navios mercantes da época, visto que as rotas comerciais da época eram frequentemente atacadas por piratas.

Do fundo do oceano à superfície: o delicado processo de conservação e desafios futuros

O chefe do departamento de arqueologia subaquática do Ministério da Cultura da França, Arnaud Schaumasse, pretende agora reunir especialistas de diversos campos de pesquisa, historiadores, geólogos e pesquisadores em cerâmica, com o intuito de solucionar outros mistérios do Camarat 4.

“Recuperar um jarro de cerâmica do século XVI a uma profundidade de 2.500 metros, onde permaneceu por 450 anos, exige um extenso trabalho preparatório, realizado em colaboração com especialistas”, afirma também à agência AFP.

“Como manusear o objeto, como trazê-lo à superfície, como preservá-lo após a exposição ao ar – todas essas etapas iniciais devem ser perfeitamente controladas, caso contrário, corre-se o risco de danos irreparáveis. Portanto, antes de decidir prosseguir com a recuperação, são necessárias garantias sólidas em todos os aspectos”, acrescenta o pesquisador.

O Departamento de Pesquisa Arqueológica Subaquática e Submarina (DRASSM) francês também pretende descobrir especificidades da embarcação em si, a partir da análise do casco do navio (que ainda não foi encontrado) por meio de pequenas amostras de madeira, para fins de datação e localização precisas.

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