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Resposta à pandemia

Fauci se recusa a depor novamente no Senado após ser acusado de desacato

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Anthony Fauci (em foto de 2022). (Foto: Shawn Thew/EFE/EPA)

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O médico e ex-coordenador da resposta nacional dos Estados Unidos à pandemia de Covid-19 Anthony Fauci se recusou nesta sexta-feira (14) a comparecer voluntariamente a uma nova audiência no Senado dos Estados Unidos. A recusa ocorre dias depois de ele ter sido acusado de desacato por uma comissão da Casa Alta americana após se negar a responder a mais de cem perguntas sobre sua atuação durante a pandemia.

O novo pedido de depoimento foi feito pelo senador republicano Ron Johnson, presidente da Subcomissão Permanente de Investigações do Senado, que conduz uma apuração paralela sobre a resposta do governo americano à pandemia, incluindo questões relacionadas à segurança e à eficácia das vacinas contra a Covid-19.

Em uma carta enviada a Johnson, um advogado de Fauci afirmou que obrigá-lo a prestar novo depoimento depois da audiência realizada em julho representaria uma tentativa de “assediar ou degradar” o ex-diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas por motivos políticos, revelou a agência Associated Press.

A recusa também ocorre em meio ao aumento da pressão de parlamentares republicanos sobre Fauci. Durante a audiência de julho, ele invocou a Quinta Emenda da Constituição americana, que protege uma pessoa contra a obrigação de produzir declarações que possam ser usadas para incriminá-la, para não responder as questões sobre sua atuação na pandemia. 

A postura levou republicanos da Comissão de Segurança Interna e Assuntos Governamentais do Senado a aprovarem, no último dia 6, uma resolução declarando o médico em desacato ao Congresso. O presidente da comissão, o senador republicano Rand Paul, argumenta que Fauci não teria justificativa para permanecer em silêncio na audiência porque recebeu um perdão presidencial preventivo do ex-presidente democrata Joe Biden. Segundo Paul, o perdão de Biden teria eliminado o risco de uma eventual acusação federal relacionada aos fatos questionados. Os advogados de Fauci contestam essa interpretação.

Paul tenta agora encaminhar a acusação de desacato ao Departamento de Justiça para que seja analisada a possibilidade de uma investigação. O republicano acusa Fauci há anos de ter enganado a população e o Congresso sobre aspectos da resposta à pandemia e sobre pesquisas que poderiam estar relacionadas à origem da Covid-19. Fauci rejeita as acusações e afirma ser alvo de perseguição política. O presidente Donald Trump indicou apoio a uma abertura de investigação sobre Fauci.

Além da pressão no Congresso, procuradores-gerais da Flórida, Virgínia Ocidental e Louisiana também adotaram medidas para obter informações relacionadas à atuação de Fauci durante a pandemia. Na Flórida, a investigação busca esclarecer se ele teria obtido benefícios financeiros e profissionais enquanto ocupava um dos principais cargos de saúde pública do governo federal.

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