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Internacional

Filha de imã muçulmano professa votos como freira católica na Guiné-Bissau

Imagem mostra duas freiras caminhando em frente a uma igreja.
Passos de fé, amor e dedicação ao próximo. (Foto: Pixabay/Przemysław Krzak)

A filha de um imã da Guiné-Bissau fez sua primeira profissão como religiosa católica, descrevendo o marco como uma resposta ao chamado de Deus e um momento de "alegria, emoção e profunda gratidão".

Aicha Settimia Canté, 27 anos, fez sua profissão temporária em 15 de agosto, solenidade da Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria, na Congregação das Irmãs do Espírito Divino (CDS). A celebração ocorreu na Diocese de Bissau e foi presidida pelo bispo emérito de Bissau, José Câmnate Na Bissign.

"Acima de tudo, quero agradecer a Deus por me chamar, me escolher e me sustentar até este momento", disse Canté em seu discurso de agradecimento, acrescentando que seu coração "transborda de alegria, emoção e profunda gratidão".

A vocação religiosa de Canté tem significado particular porque ela vem de uma família muçulmana. Ela é filha de um imã e originária de Safim. Foi batizada na Paróquia Nossa Senhora das Graças de Farim, da Diocese de Bissau, e recebeu a confirmação na Paróquia Santa Ana de Mansoa antes de embarcar em sua jornada para a vida consagrada. Sua profissão destaca a coexistência de diferentes tradições religiosas na Guiné-Bissau.

Em seu discurso na celebração eucarística, a nova irmã agradeceu a Na Bissign por presidir a celebração. "Muito obrigada por aceitar presidir esta celebração, que é tão significativa para mim. Sua presença tornou este dia ainda mais bonito e cheio de significado", disse ela.

Ela também expressou gratidão à superiora e às irmãs de sua congregação religiosa pelo acompanhamento ao longo de sua formação. "Cada uma de vocês contribuiu para minha formação e para o fortalecimento de minha vocação", disse.

Canté também reconheceu aqueles que a acompanharam durante sua formação, incluindo seus estudos de francês, postulado e noviciado, dizendo que seus ensinamentos, conselhos e gestos de amor a ajudaram a crescer como mulher cristã e religiosa. Ela ainda agradeceu àqueles que a acompanharam espiritualmente e a ajudaram a discernir sua vocação.

Em sua homilia, o bispo exortou Canté a abraçar sua vocação como uma missão de fé e dedicação a Deus. Ele enfatizou que responder ao chamado de Deus requer determinação, uma resposta generosa e disposição para servir, observando que Deus continua a chamar homens e mulheres para participar de seu plano para a humanidade, apesar dos desafios que os jovens enfrentam hoje.

Segundo o bispo, uma vocação não deve ser entendida simplesmente como uma escolha individual desvinculada da missão, mas como uma resposta ao plano de Deus. "É uma missão divina", disse ele, enfatizando a responsabilidade daqueles que se colocam a serviço de Deus e da humanidade.

Na Bissign também descreveu a fé como essencial para navegar pela vida e superar seus desafios. "Aqueles que não têm fé em Deus se encontram completamente desorientados", disse ele, exortando aqueles que respondem ao chamado de Deus a manter seu relacionamento com Ele no centro de suas vidas. Ele também destacou a oração e a ação de graças como elementos essenciais da jornada cristã e pediu um relacionamento permanente com Deus em meio aos desafios pessoais e sociais.

A profissão temporária foi celebrada sob o lema atribuído a Santa Teresinha do Menino Jesus: "No coração da Igreja, minha Mãe, serei o amor".

Na Bissign apresentou a Virgem Maria como modelo de resposta ao chamado de Deus. "Maria é a resposta completa a Deus", disse ele, acrescentando que ela representa "a arca da nova aliança" por causa de sua disposição de receber e cumprir a vontade de Deus. O bispo também destacou o papel do Espírito Santo na missão da Igreja, descrevendo o Espírito como "o principal companheiro da Igreja".

A profissão religiosa de Canté também atraiu comentários ofensivos, ataques pessoais e discurso de ódio nas redes sociais, particularmente por causa da identidade de seu pai como imã e sua decisão de abraçar a vida religiosa católica.

A situação levou a Confederação Nacional da Juventude Islâmica na Guiné-Bissau a condenar os ataques e defender a liberdade de consciência e religião. A organização expressou "profunda preocupação com a onda de comentários ofensivos, ataques pessoais e discurso de ódio" que circularam nas redes sociais após a notícia da escolha religiosa de Canté.

A organização juvenil islâmica recordou o ensinamento corânico de que "não há compulsão na religião" e pediu que a fé islâmica seja expressa através da paz, misericórdia, justiça, tolerância, sabedoria e respeito pela dignidade humana, em vez de insultos, humilhação, ameaças ou perseguição. "Respeitar a escolha de alguém não significa necessariamente concordar com ela", disse a organização, enfatizando que a discordância sobre escolhas religiosas não justifica ataques à dignidade de outra pessoa.

O grupo também alertou que a liberdade de expressão não deve ser confundida com a liberdade de difamar, insultar, incitar o ódio ou provocar conflito religioso. Pediu uma Guiné-Bissau na qual muçulmanos, cristãos e pessoas de outras convicções possam viver "com respeito, fraternidade e dignidade", descrevendo o episódio como uma oportunidade para reflexão e diálogo, em vez de maior divisão.

©2026 Catholic News Agency. Publicado com permissão. Original em inglês: Imam’s daughter in Guinea-Bissau makes profession as Catholic religious sister https://www.ewtnnews.com/world/africa/imam-s-daughter-in-guinea-bissau-makes-profession-as-catholic-religious-sister

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