Amã (EFE) Rana e Ragad Hussein, filhas do deposto ditador iraquiano Saddam Hussein, choraram ontem ao ver pela tevê, o primeiro comparecimento do pai a um tribunal iraquiano, que acusa o ex-líder pelo massacre de dezenas de xiitas. As duas vivem em Amã, como hóspedes da família real da Jordânia, desde a invasão do Iraque pelos EUA. Elas destacaram o fato de o pai ter ressaltado que o tribunal é ilegítimo por ter sido instaurado pelas forças de ocupação.
Em 2003 Saddam Hussein não apenas assistiu à derrocada de seu regime, mas também viu sua família ser dizimada com a morte dos dois filhos Uday e Qusay e a dispersão dos demais parentes, que foram viver no exterior. O homem que insistia em seus discursos sobre a importância da família sempre foi extremamente zeloso a respeito da vida privada.
Casado pela primeira vez com a prima Sajida, filha de seu tio Jairalah Tulfah, que o acolheu em casa, ao lado de sua mãe, após a morte do pai, Saddam nunca se divorciou da primeira esposa. No entanto, isto não o impediu de casar com outras três mulheres: Samira Chahbandar, em 1982; Nidal Hamdani, uma funcionária do Ministério da Indústria, em 1990; e Imane Howeid, também funcionária, em 2001.
Apenas os cinco filhos que teve com Sajida Uday e Qusay, Raghad, Rana e Hala foram oficialmente reconhecidos. Mas Saddam também teve um filho com Samira, por quem se apaixonou quando ela era casada com o diretor-geral da Iraqi Airways, Nureddin Safi. O casal Safi se divorciou para que Samira pudesse casar-se em segredo com Saddam. A menção da existência de um filho, Ali, nascido da união era tabu, a ponto de uma jornalista ter afirmado que sua vida foi ameaçada por revelar o segredo. Ali, que hoje tem 22 anos, fugiu do país com a mãe pouco antes da invasão dos EUA ao Iraque, em março de 2003, e hoje vive na Austrália.



