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Narcoterrorista

Fim de linha para “Niño Guerrero”: quem é o traficante morto em operação dos EUA na Venezuela

Héctor Guerrero Flores, conhecido como 'Niño Guerrero, morto pelos EUA
Héctor Guerrero Flores, conhecido como "Niño Guerrero": principal líder do Tren de Aragua. Ele foi morto pelos Estados Unidos em operação conjunta com a Venezuela neste dia 12 de junho. (Foto: EFE)

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Conhecido no mundo do crime como “Niño Guerrero”, o narcotraficante venezuelano Héctor Rusthenford Guerrero Flores, 43 anos, foi morto em operação militar conjunta realizada pelos Estados Unidos e a Venezuela. Mas quem era o chefe máximo do grupo criminoso Tren de Aragua?

Nascido em 30 de maio de 1983 em Maracay, no estado de Aragua, iniciou a carreira no crime organizado nos anos 2000, com “pequenos roubos” e venda de drogas. Seu histórico de violência, contudo, ganhou notoriedade em 2005, quando assassinou um policial.

Fichado internacionalmente e incluído na lista dos criminosos mais procurados pelo serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (U.S. Immigration and Customs Enforcement - ICE), Guerrero Flores transformou o sistema prisional de seu país em praticamente um “escritório do crime”.

Preso em 2010 e enviado ao Centro Penitenciário de Aragua, ele conseguiu fugir supostamente com a ajuda de agentes penitenciários. Após ser recapturado em 2013, retornou ao mesmo presídio para se consolidar como o principal el jefe criminoso, ou seja, ditando as ordens dentro das prisões venezuelanas. Foi aí que o Tren de Aragua ganhou notoriedade.

A exemplo outros traficantes do passado, como Pablo Escobar, o presídio virou uma fortaleza de luxo. O local contava com uma piscina, campo de beisebol, discoteca, e até mesmo um zoológico com animais exóticos.

Financiado pelas redes de extorsão que comandava, o traficante habitava uma mansão construída dentro do próprio complexo penal. Era de lá que ele controlava a expansão de seus negócios para além das fronteiras venezuelanas. Inclusive, ele chegava a entrar e sair “sem muitos problemas”.

Tren de Aragua de Niño Guerrero: a multinacional terrorista

Com origem nos anos 2010, o Tren de Aragua nasceu aparentemente a partir de um sindicato de trabalhadores que extorquia empreiteiras nas obras inacabadas de uma ferrovia local no estado de Aragua.

Já bob o comando expansionista e a “visão empresarial” de Niño Guerrero, a facção deixou de ser uma simples gangue carcerária para se tornar a organização criminosa mais poderosa da Venezuela e uma ameaça internacional.

Aproveitando-se do fluxo migratório gerado pela pobreza na Venezuela, a partir de 2018, o bando espalhou suas células criminosas por países como Colômbia, Peru, Chile, Equador, Brasil e Panamá, estabelecendo bases em grandes centros urbanos como Bogotá, Lima e Santiago.

Com a expansão, o portfólio de crimes do cartel expandiu. Além de narcotráfico, o grupo é investigado por redes internacionais de contrabando de migrantes e redes de tráfico humano voltadas à exploração sexual.

Assim a exemplo de organizações criminosas Brasileiras como PCC e Comando Vermelho, o grupo cobra de taxas de segurança a comerciantes locais, agiotagem disfarçada e assassinatos sob encomenda. A “multinacional criminosa” chega também a explorar de minas ilegais de ouro no sul da Venezuela, e fornece armamento de calibre militar para quadrilhas aliadas.

Em 2025, o governo dos Estados Unidos designou formalmente o Tren de Aragua como uma Organização Terrorista Estrangeira.

O Departamento de Estado americano chegou a fixar uma recompensa de até US$ 5 milhões por informações que levassem ao paradeiro de Guerrero. O criminoso já respondia a processos criminais na corte federal de Nova York por conspiração de extorsão, tráfico de armas e apoio a atividades terroristas.

Como foi o ataque ao Niño Guerrero

A eliminação do traficante ocorreu no sudeste do estado venezuelano de Bolívar liderado pelo Comando Sul dos Estados Unidos (Southcom), com apoio da Agência Central de Inteligência (CIA).  O presidente americano, Donald Trump, celebrou o sucesso da missão em sua plataforma, Truth Social.

Do lado venezuelano, o Ministério da Comunicação confirmou a informação, parabenizando os oficiais locais que mataram do líder do bando. O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, reiterou que a ação demonstra o compromisso mútuo em combater o narcoterrorismo no hemisfério.

Operação de Niño GuerreroImagem do momento em que míssil atingiu a operação do traficante Niño Guerrero (Foto: Reprodução Truth Social)

Em outro episódio, em uma megaoperação policial em setembro de 2023, o exército venezuelano invadiu a prisão de Tocorón. Niño Guerrero teria sido alertado com antecedência e conseguiu fugir por meio de túneis secretos, sem deixar de coordenar o grupo narcotraficante.

Contudo, a caçada internacional terminou nesta semana nas florestas do sudeste do estado de Bolívar, em uma região ligada à mineração ilegal de ouro controlada por Yohan José Romero, um dos principais aliados de Guerrero.

A inteligência da CIA identificou o complexo residencial oculto onde o líder terrorista se escondia. A execução do ataque foi classificada pelos militares como um "ataque cinético de precisão".

Um vídeo oficial divulgado pela administração de Donald Trump é tido como o momento exato em que um projétil impacta a estrutura de um edifício verde e instalações vizinhas, reduzindo o quartel-general improvisado a escombros e chamas.

Durante a incursão terrestre após o ataque, para a varredura do perímetro, novos confrontos armados foram registrados. Este teria sido o momento da morte de Niño Guerrero.  

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