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Forças sírias mataram nesta sexta-feira 34 pessoas, incluindo quatro crianças, disseram ativistas, apesar da promessa do presidente Bashar al-Assad de interromper a repressão militar aos protestos por liberdades políticas.

Estimulados pelos apelos dos Estados Unidos e da União Europeia a favor da renúncia de Assad, milhares de manifestantes foram às ruas da Síria pedir democracia.

Os incidentes mais graves desta sexta-feira ocorreram na província de Deraa, no sul do país, berço da rebelião contra Assad iniciada em março. Casos também foram registrados em Homs, Palmyra e nos subúrbios da capital Damasco.

"Tchau, Bashar, nos vemos em Haia", gritavam manifestantes na cidade de Homs, região central do país, mostrando os sapatos (o que no mundo árabe é um sinal de desprezo). "Nós queremos vingança contra Maher e Bashar", diziam outros, referindo-se ao líder sírio e a seu poderoso irmão.

Ativistas disseram que cinco pessoas foram mortas e 15 feridas na cidade de Palmyra, quando as forças de Assad abriram fogo durante uma manifestação.

"O povo quer a execução do presidente", repetia uma multidão numa região da província de Idlib, no norte da Síria.

O ativista local Abdallah Aba Zaid disse que 18 pessoas foram mortas na província de Deraa, incluindo oito na cidade de Ghabaghab, cinco em Hirak, quatro em Inkhil e uma em Nawa. Segundo ele, dezenas ficaram feridas.

A entidade Observatório Sírio dos Direitos Humanos afirmou que outras duas pessoas foram mortas no bairro de Bab Amro, em Homs.

A Síria expulsou a maior parte da imprensa estrangeira do país, por isso é difícil verificar os relatos vindos de lá. Investigadores da Organização das Nações Unidas dizem que as forças de Assad podem ter cometido crimes contra a humanidade na repressão aos protestos dos últimos meses.

As preces da sexta-feira ao meio-dia, as mais importantes da semana para os muçulmanos, têm dado origem às maiores manifestações na Síria -- e consequentemente aos incidentes mais violentos.

Na semana passada, 20 pessoas foram mortas durante protestos em que a multidão, desafiadora, gritava: "Só para Deus nos ajoelhamos."

Assad disse nesta semana ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que havia ordenado o fim das operações de suas forças de segurança contra os manifestantes. Mas ativistas disseram que os soldados continuam atirando.

"Talvez Bashar al-Assad não considere a polícia como 'forças de segurança'", disse uma testemunha na cidade de Hama, onde policiais usaram metralhadoras, na noite de quinta-feira, para impedir um protesto.

A TV estatal síria informou que homens armados atacaram um posto policial na província de Deraa, matando um policial e um civil, e ferindo dois outros.

Imagens colocadas na Internet dos protestos desta sexta-feira sugerem que, embora disseminadas, as manifestações estão menores do que no seu auge, em julho, antes de Assad enviar tanques e soldados para ocuparem várias cidades.

Além de pedir a renúncia de Assad, os EUA impuseram na quinta-feira novas sanções ao regime da Síria, um país estratégico, pois faz fronteira com Israel, Líbano, Iraque, Jordânia e Turquia, além de ser aliado do Irã.

Já a Rússia, que resiste aos apelos ocidentais pela imposição de sanções da ONU a Damasco, disse nesta sexta-feira que é contra a pressão pela renúncia de Assad, pois acha que ele precisa de mais tempo para implementar reformas.

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