
Ouça este conteúdo
A França rejeitou o convite feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para integrar o Conselho da Paz para a Faixa de Gaza.
Uma fonte próxima ao presidente francês, Emmanuel Macron, disse ao jornal Le Monde nesta segunda-feira (19) que a rejeição ocorre porque a carta constitutiva do grupo, que vai supervisionar a reconstrução do enclave após mais de dois anos de guerra entre Israel e o grupo terrorista Hamas, “vai além do âmbito exclusivo de Gaza”.
“Ela levanta questões importantes, particularmente no que diz respeito ao respeito pelos princípios e pela estrutura das Nações Unidas, que em nenhuma circunstância podem ser questionados”, acrescentou a fonte.
Pouco depois do Le Monde publicar a informação, Pascal Confavreux, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da França, confirmou à emissora americana CNN que a gestão Macron vai recusar o convite.
“O presidente Macron recebeu, de fato, um convite, assim como outros. Decidimos, até o momento, não participar”, disse Confavreux.
Mais cedo, o Ministério das Relações Exteriores da França já havia feito questionamentos a respeito do conselho, ao citar o compromisso francês com a ONU: o governo Macron entende que o grupo seria uma tentativa de criar uma alternativa às Nações Unidas.
“Este [compromisso] continua sendo a pedra angular do multilateralismo eficaz, onde o direito internacional, a igualdade soberana dos Estados e a solução pacífica de controvérsias prevalecem sobre a arbitrariedade, a política de poder e a guerra”, alegou a pasta em comunicado.
Desde sábado (17), foi noticiado que Trump convidou líderes de vários países, entre eles o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ditador russo, Vladimir Putin, para fazer parte do conselho.
A composição do conselho pretendida pelos EUA, com líderes de países que condenaram a operação de Israel contra o Hamas em Gaza, como o próprio Lula e o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, gerou críticas do governo do premiê Benjamin Netanyahu.







