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América Latina

Frio agrava crise energética argentina

População protesta contra racionamento, apagões e filas nos postos de combustíveis

Paranaense de Toledo acredita que pode conseguir pelo menos um pódio na etapa de Londrina, no próximo dia 29 | Daniel Castellano / Gazeta do Povo
Paranaense de Toledo acredita que pode conseguir pelo menos um pódio na etapa de Londrina, no próximo dia 29 (Foto: Daniel Castellano / Gazeta do Povo)

Buenos Aires – Em meio à maior crise energética na Argentina em quase duas décadas, acirrada por um dos invernos mais rigorosos já vividos pelo país, as restrições no abastecimento de gás natural e energia elétrica estão mudando o dia-a-dia das pessoas. Ontem, no dia mais frio do ano, bairros de Buenos Aires, localidades nos arredores da capital e Bariloche – importante destino turístico nas férias de julho – amanheceram sem luz. Indignados por causa dos apagões, moradores da cidade de La Matanza, a mais populosa da Grande Buenos Aires, protestaram interrompendo o trânsito em uma rodovia.

Os termômetros marcaram até 2,5 graus negativos ontem na capital, e o número de mortos por causa do frio já chega a 16. Foi registrado um recorde no consumo de gás em residências. Os postos de gasolina acumulam enormes filas de automóveis nos últimos dias devido à suspensão da distribuição de gás aos postos durante três dias e pelos limites de venda de 40 litros de gasolina. A escassez provoca falta de táxis nas ruas, demoras no serviço de rádio-táxi e até aumento da tarifa de viagem mínima de serviço de carros particulares de quatro para sete pesos. Pelo baixo preço da tarifa, o táxi e carros particulares são um importante meio de transporte argentino.

Desde ontem, o fornecimento de gás ao Chile foi suspenso. Já as províncias argentinas de Santa Fé e Entre Rios, a exemplo de Salta, decidiram racionar energia por causa dos cortes no fornecimento. Por causa da baixa pressão do gás nas tubulações, os argentinos estão tendo dificuldade para aquecer suas casas.

A neve que caiu em Buenos Aires na segunda-feira passada, o que não acontecia há 89 anos, aumentou o consumo de energia no país. Passada a alegria com o fenômeno, o resultado foram os canos congelados pelo gelo, suspensão de aulas em 221 escolas da província de Buenos Aires e cancelamento de pelo menos 40 vôos. Naquele dia, o governo pela primeira vez pediu "cuidado" no consumo, mas descarta reajuste de tarifas ou racionamento. Os apagões continuam afetando apenas as indústrias, com corte de oito horas diárias de luz e redução no fornecimento de gás.

Em Bariloche, o apagão abarcou 75% do seu território. Foi preciso adotar um plano de emergência em hospitais e outros lugares críticos. A falta de energia durou a noite inteira, na terça-feira, e só foi resolvida ao meio dia de ontem. Já no bairro Santo Veja, na cidade de Lomas de Mirador, na Grande Buenos Aires, há duas semanas não há energia.

O governo argentino continua negando que exista crise energética. Para o presidente Kirchner, a situação é resultado da retomada econômica dos últimos anos, com uma média de crescimento acima de 8% anual, e da falta de investimento das distribuidoras. As empresas do setor reclamam que, com as tarifas congeladas desde 2002, não há como fazer investimentos.

"Se a situação dos preços não for corrigida, não haverá investimentos", disse Marco Tavares, sócio da Gas Energy, em Porto Alegre.

Há quatro meses das eleições presidenciais, Kirchner se defronta com manifestantes enraivecidos em protestos por fechamento de fábricas e escolas e demissões. Analistas políticos admitem que a popularidade do presidente pode ser afetada.

Após suspender o fornecimento de gás natural aos postos na terça-feira, o governo deu incentivos fiscais à Petrobrás e à Repsol-YPF, as duas principais bandeiras do país, para venderem gasolina mais barata.

"É um problema que não está resolvido. Sabemos que os postos de gasolina começaram a vender gasolina e ficaram sem combustível", disse o tesoureiro da União de Proprietários de Táxis, Mario López.

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