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Para entender

Fumaça de queimadas na Indonésia atinge Singapura e prejudica famílias pobres

Representação da fé cristã na Basílica São Pedro, no Vaticano. (Foto: Robert Cheaib / Pixabay)

Uma névoa tóxica provocada por incêndios florestais e em turfeiras na Indonésia atingiu níveis críticos de poluição em Singapura em outubro de 2026. O fenômeno, causado por queimadas em terrenos de empresas indonésias, forçou o fechamento de escolas por um mês em Kalimantan e destruiu casas de populações vulneráveis. Diante da crise, ordens religiosas e entidades regionais mobilizam ajuda humanitária.

Qual é a gravidade da poluição registrada na região?

A situação atingiu um patamar alarmante em meados de outubro, quando o Índice de Padrões de Poluentes chegou a 225 na região central de Singapura. Esse valor enquadra a qualidade do ar na categoria muito insalubre, o que representa um risco direto à saúde da população. O governo de Singapura identificou que a origem da fumaça está ligada a incêndios em terras geridas por sete empresas na Indonésia. Essas companhias devem ser notificadas com medidas preventivas baseadas em leis que combatem a poluição transfronteiriça, já que a fumaça tóxica não respeita fronteiras nacionais.

Como os incêndios estão afetando as comunidades mais necessitadas?

O impacto social é devastador, especialmente em Kalimantan, na Indonésia. Famílias pobres perderam suas moradias para o fogo que consome as turfeiras, que são terrenos formados por camadas de vegetação decomposta que queimam facilmente. Além da perda material, o direito à educação foi interrompido, com escolas permanecendo fechadas por até 30 dias devido à toxicidade do ar. Especialistas apontam que a poluição atmosférica é uma violação do direito a um ambiente seguro e à saúde, impedindo que crianças estudem e que adultos trabalhem para garantir o próprio sustento.

Quais medidas estão sendo tomadas para auxiliar as vítimas?

Grupos religiosos, como os franciscanos e capuchinhos, estão na linha de frente do apoio humanitário. Eles colaboram com bispos e governos locais para fornecer água potável e ajudar na reconstrução das casas destruídas pelo fogo. Além do socorro imediato, as organizações defendem que a resposta deve incluir a prevenção de desastres ambientais e a luta por justiça climática. O objetivo é garantir que os pobres, que são os que menos contribuem para o problema e os primeiros a sofrer com os danos, possam viver com dignidade e segurança em meio à crise ecológica regional.

Existem alternativas para evitar que essas queimadas continuem ocorrendo?

Lideranças regionais sugerem mudanças nas práticas agrícolas para conter o problema. Uma das propostas é o reaproveitamento de palmeiras de dendê velhas, que hoje são frequentemente descartadas por meio do fogo. Em vez de queimadas, essas árvores poderiam ser transformadas em matéria-prima para a produção de celulose, papel, aglomerados ou cobertura morta para o solo. Essa mudança de mentalidade e o uso de recursos renováveis são considerados críticos para uma resposta eficaz à crise, exigindo a conversão de métodos de produção e um senso de responsabilidade compartilhada pelas gerações futuras.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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