
Cerca de 35 funcionários do Ministério do Interior do Iraque foram presos nos últimos três dias, informou nesta quinta-feira (18), o jornal "The New York Times". Alguns deles são acusados de planejar um golpe de Estado e tentar reconstruir o partido Baath, que sustentou 35 anos de ditadura no país, boa parte deles sob a liderança de Saddam Hussein. Entre os detidos, estariam quatro generais.
As prisões foram realizadas por uma força de elite antiterrorismo que se reporta diretamente ao primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki. De acordo com o "NYT", a operação foi confirmada pelo gabinete do premier, mas as autoridades não divulgaram detalhes sobre a ação.
O caso revelaria mais um desafio a ser enfrentado por Al-Maliki, que se prepara para a retirada das tropas britânicas do Iraque, no primeiro semestre de 2009, e a provável retirada dos militares dos EUA, a partir do próximo ano. Com bons índices de popularidade, o premier iraquiano, conforme o jornal americano, conta com poucos aliados políticos de confiança.
Críticos acusam premier de usar prisões para consolidar poder
Os rumores de golpe, conspirações e alianças atingem o Iraque um mês antes das eleições provinciais no país. Críticos afirmam que Al-Maliki estaria usando as prisões para consolidar seu poder. Muçulmano xiita, o primeiro-ministro foi perseguido pelo partido Baath de Saddam Hussein, que era sunita. A legenda foi posta na ilegalidade após a invasão americana derrubar o governo em 2003.
Entre os detidos há xiitas e sunitas, mas muitos são acusados de ligação com o Retorno, dissidência do partido Baath. Responsável pela segurança interna do Iraque, o importante Ministério do Interior tem um histórico de infiltrações de milícias xiitas, segundo o "NYT". O jornal afirma que o ministro do Interior, Jawad Kadem al-Bolani, não está envolvido no caso.



