
A ativação acidental do sistema de segurança contra incêndios foi a causa da morte de 20 pessoas em um submarino nuclear da Frota Russa do Pacífico sábado, informou ontem a Marinha russa. O acidente que pode ter sido gerado por uma superlotação levou à liberação do gás freon, que, além dos mortos, deixou 21 pessoas feridas.
O navio de guerra levava 208 pessoas a bordo, entre elas 81 marinheiros, disse o porta-voz da marinha russa, capitão Igor Digalo. Segundo agências de notícias russas, submarinos desse tipo costumam carregar uma tripulação de 73 pessoas.
Sem danificações, o submarino retornou ontem para sua base na costa do Pacífico da Rússia. De acordo com a Marinha, o acidente não representa qualquer perigo de radiação.
A Procuradoria russa abriu uma investigação penal por morte e violação das regras de condução e exploração de navios de guerra. "Foi criada uma brigada de investigação, que está realizando as pesquisas", disse Vladimir Markin, porta-voz oficial do Comitê de Instrução da Procuradoria.
A investigação foi aberta a pedido do presidente russo, Dmitri Medvedev. Assim que foi informado do acidente, ele encomendou ao procurador-geral, Yuri Chaika, uma investigação completa e meticulosa das causas.
O acidente com o submarino nuclear da Frota do Pacífico russa aconteceu durante testes marítimos em águas do Mar do Japão. O submarino recebeu imediatamente a ordem de suspender os testes e voltar à base provisória na região russa de Primorie, enquanto os feridos foram levados a bordo de outra embarcação para o hospital da Frota do Pacífico em Vladivostok, no extremo leste do país.
"Declaro sob minha responsabilidade que os reatores do submarino funcionam com normalidade e que os níveis de radiação correspondem à norma", ressaltou o porta-voz da Marinha russa, o capitão de navio Igor Digalo, após o acidente.
Histórico
Em 12 de agosto de 2000, o submarino russo Kursk orgulho da Marinha russa e que era considerado indestrutível pelos militares naufragou no mar de Barents, norte da Rússia, após uma explosão acidental em sua câmara de torpedos. 118 tripulantes da embarcação morreram.
A Rússia rejeitou as ofertas de outros países para resgatar os 20 tripulantes do submarino que não morreram na explosão e a cúpula militar optou por esconder as dimensões reais da catástrofe.
Em agosto de 2005, o minissubmarino russo AS-28 ficou encalhado a 190 metros de profundidade, enquanto fazia exercícios militares. A tripulação foi resgatada com vida, após quase três dias de operações de busca. A manobra de emergência para resgate só foi possível após a ajuda do robô britânico Scorpio, que desceu até o nível de profundidade do minissubmarino, para cortar os cabos de uma antena de vigilância que prendiam a embarcação.



