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Guerra

Geórgia pede cessar-fogo ao governo russo

Moscou só vai negociar trégua se houver a retirada imediata das tropas georgianas da região separatista da Ossétia do Sul

 | Gleb Garanich/Reuters
(Foto: Gleb Garanich/Reuters)
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A Geórgia propôs ontem a Moscou cessar-fogo após uma ampliação da ofensiva russa para forçar o recuo das tropas georgianas que tentam tomar o controle da região separatista de Ossétia do Sul.

O presidente russo, Dmitry Medvedev, disse ontem que a única saída para a crise trágica é a retirada das tropas georgianas da zona de conflito. Medvedev também afirmou que a assinatura de um acordo entre os separatistas da Ossétia do Sul e a Geórgia para que não ataquem um ao outro também é necessária. Ele afirmou haver milhares de mortos e centenas de milhares de refugiados na Ossétia do Sul, além de uma grande destruição que seria o resultado de uma "ação bárbara" das autoridades georgianas.

A Rússia disse ter tomado o controle da capital rebelde, Tskhinvali, mas a Géorgia nega que isso tenha ocorrido no segundo dia de confrontos que ameaçam gaseodutos e oleodutos de grande importância para nações ocidentais.

Autoridades russas disseram que o número de mortos chega a 2 mil e que 30 mil refugiados da Ossétia do Sul chegaram à Rússia nas últimas 36 horas. O governo afirmou que dois de seus aviões de guerra foram derrubados e 12 soldados de suas tropas foram mortos. "Eu peço um cessar-fogo imediato", disse o presidente da Geórgia, Mikheil Saakashvili, em Tbilisi. "A Rússia lançou uma invasão militar em larga escala na Geórgia."

A resposta militar russa intensificou dramaticamente as tensões entre a Rússia e a liderança georgiana pró-ocidental, o que levou a troca de farpas na ONU reminescentes da Guerra Fria. Abkhazia, outra região pró-Rússia na Geórgia, disse que suas forças haviam dado início a uma operação para expulsar as forças georgianas.

Segundo relato de um porta-voz da Geórgia, aviões russos fizeram ataques a bomba, mas os separatistas de Abkhazia assumiram responsabilidade pelos ataques.

Estado de guerra

O parlamento da Geórgia aprovou estado de guerra no país pelos próximos 15 dias, enquanto a Rússia acusa os países ocidentais de contribuir com a violência fornecendo armas à Geórgia. A Ucrânia, ex-república soviética cujo governo pró-ocidente agora quer ser membro da Otan e da União Européia, havia encorajado a Geórgia a promover "limpeza étnica" na Ossétia do Sul, segundo o ministro das Relações Exteriores russo. A Rússia, que enviou tanques para apoiar a Ossétia do Sul, afirmou que suas forças dominaram a capital. "Grupos táticos libertaram completamente Tskhinvali do exército georgiano...", teria dito o comandante russo Vladimir Boldyrev.

A Géorgia afirma ainda manter o controle da cidade. "Tskhinvali está agora sob o total controle de nossas tropas", disse Khakha Lomaia, secretário do Conselho de Segurança Nacional da Geórgia, em Tbilisi.

Acusações

As tropas russas invadiram a Ossétia do Sul na sexta-feira, horas após a Geórgia lançar uma grande ofensiva destinada a restaurar seu controle sobre a província. A Rússia é a principal aliada dos separatistas da Ossétia do Sul e a maioria da população, que é etnicamente distinta dos georgianos, recebeu passaportes russos. A Geórgia planeja trazer seu total contigente de 2 mil soldados no Iraque para casa tão logo os Estados Unidos consigam providenciar o transporte, disse o comandante da unidade ontem.

Os dois lados trocam acusações pelo início dos conflitos em Ossétia do Sul, que rompeu com a Geórgia quando a União Soviética estava próxima a um colapso no início dos anos 90.

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