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Argentina

Governador peronista caloteiro lança moeda local para desafiar Milei

Medida do governador peronista da província argentina de La Rioja, Ricardo Quintela, foi criticada pelo presidente Javier Milei (Foto: Governo da Argentina/Wikimedia Commons)

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O governador peronista da província argentina de La Rioja, Ricardo Quintela, retomou este ano a emissão dos chachos, uma moeda local com valor nominal equivalente a um peso argentino, para desafiar as políticas de austeridade do presidente Javier Milei.

A volta da moeda paralela ocorreu em agosto, mas ganhou destaque no noticiário internacional esta semana porque a agência americana Bloomberg publicou uma reportagem sobre o assunto.

“Um dos governadores de oposição mais críticos da Argentina está reintroduzindo uma moeda que só pode ser gasta na sua província, reforçando sua aposta em um modelo econômico intervencionista justamente quando o presidente Javier Milei tenta convencer os investidores de que o país abraçou definitivamente o livre mercado”, afirmou a Bloomberg.

O governo peronista de La Rioja já havia recorrido aos chachos em 2024, em meio a uma disputa com o governo Milei sobre repasses federais reivindicados pelas províncias. Porém, a moeda foi retirada de circulação em dezembro daquele ano.

Segundo informações do jornal La Nueva, o ministro da Fazenda provincial, Fabián Blanco, alegou que a retomada dessa medida visa “atender a duas demandas: uma dos empregados e outra do setor econômico da província”.

“Foi um sucesso em 2024 em termos de formato e apoio recebido. Não houve nenhum inconveniente e, vendo a confiança que gerou junto aos comerciantes, eles começaram a pedir o retorno dos chachos”, alegou Blanco.

Apesar da afirmação do ministro provincial, a criação dos chachos foi muito criticada porque gerava inflação, dificultava negócios com fornecedores e empresas de outras províncias (onde não era aceita) e sinalizava aos mercados a falta de controle das contas públicas de La Rioja, uma das regiões mais pobres da Argentina.

Em 2024, o governo de La Rioja impôs uma moratória da sua dívida pública. Segundo relatório da semana passada da agência de classificação de risco Fitch, a província acumula um saldo devedor de US$ 204,98 milhões, além de juros acumulados e não pagos.

Em artigo para o site da emissora TN, o colunista Marcos Novaro disse que a população argentina não aceita mais a emissão descontrolada de moeda, medida típica dos governos peronistas.

“O terraplanismo econômico que Quintela não só propaga, mas também traduz em decisões públicas concretas, é amplamente impopular, enfrentando a rejeição da grande maioria dos argentinos em todos os distritos e partidos políticos”, escreveu.

Milei também criticou a volta dos chachos em post no X em agosto. “O peronismo sempre propõe gastar mais. E sempre propõe pagar por esses delírios emitindo dinheiro. É por isso que estávamos com uma hiperinflação [na Argentina], com mais de 50% da população vivendo na pobreza, 20% indigentes, 30% dos trabalhadores formais abaixo da linha da pobreza e 70% das crianças na pobreza”, afirmou o presidente argentino.

Ele chamou a medida de “uma receita para a escravidão a partir do impulso à pobreza, usando a assistência social como meio [para alcançá-la]” e chamou os defensores dos chachos de “cínicos”.

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