
Seis grupos de oposição ao ditador Hosni Mubarak, incluindo a oficialmente banida Irmandade Muçulmana, se reuniram ontem pela primeira vez com o governo para tentar pôr fim à crise que paralisa o país há 14 dias.
Mas as negociações com o regime, além de fragilizadas por divergências nas fileiras oposicionistas, foram rejeitadas pelos milhares de manifestantes que continuam acampados na Praça Tahrir, no centro do Cairo.
O sentimento dominante no local que se tornou símbolo da resistência ao regime é a de que os protestos só terminarão com a saída de Mubarak, no poder desde um golpe cometido em 1981.
A missão de negociar com a oposição ficou a cargo do general Omar Suleiman, chefe de Inteligência promovido ao recém ressuscitado cargo de vice-presidente e que desfruta do apoio dos EUA.
O encontro foi o primeiro na história no qual o governo conversou com a Irmandade Muçulmana, grupo influente que mescla atividades políticas, religiosas e de assistência social. A organização é proibida de formar um partido, mas seus membros podem participar de eleições sob candidatura independente.
Também participaram, entre outros, líderes juvenis, político seculares e o proeminente acadêmico Ahmed Zewail, ganhador do Nobel de Química em 1999.
O ex-diretor da agência nuclear da ONU Mohamed ElBaradei ganhador do Nobel da Paz em 2005 se recusou a participar alegando que as conversas são "confusas. Um representante de ElBaradei se reuniu separadamente com Suleiman.
Os interlocutores ouviram do governo promessas apresentadas como grandes concessões, mas que na prática se resumem à repetição de acenos vagos feitos pelo regime desde o início da crise.
Suleiman ofereceu libertar presos políticos, maior liberdade de imprensa e o fim do Estado de exceção pelo qual Mubarak sempre governou.
O governo anunciou que as partes concordaram em criar um comitê para estudar reformas, entre as quais a da Constituição, para permitir maiores liberdades políticas e de imprensa.
A tevê estatal disse que as propostas de mudanças, tidas como amplamente favoráveis ao Partido Nacional Democrático chefiado por Mubarak, serão apresentadas em março.
A avaliação predominante é a de que o governo fez concessões insuficientes. No entanto, o fato de haver um consenso sobre a continuação do diálogo sinaliza que Mubarak tem grandes chances de ficar no cargo até as eleições de setembro.
Ele prometera na semana passada que não concorreria a mais um mandato pleitos no Egito são tidos como manipulados pelo governo.
Brasil e EUA
Em Dacar, no Senegal, onde acontece o Fórum Social Mundial, o secretário-geral da presidência, Gilberto Carvalho, disse que o Brasil vê "com bons olhos" o movimento popular que contesta o regime de Mubarak. Segundo Carvalho, o Brasil não exige a renúncia do atual chefe de Estado, mas defende o início da transição para novos governos na Tunísia e no Egito.
Em Washington, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, avaliou que o Egito não será mais o mesmo país que era antes das manifestações populares pela democracia ocorridas nas últimas duas semanas. Obama disse estar claro que o povo egípcio deseja liberdade e eleições livres e justas.







