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Religião

Governo decide expulsar bispo britânico que negou o Holocausto

Buenos Aires - O governo da Argentina anunciou ontem que o bispo britânico Richard Williamson, que negou a dimensão do Holocausto de judeus por nazistas, deve deixar o país em até dez dias.

As autoridades argentinas alegaram que o bispo ultraconservador "fraudou reiteradamente o verdadeiro motivo de sua permanência no país".

Segundo o Ministério do Interior da Argentina, Williamson declarou "ser um empregado administrativo da Associação Civil La Tradición, quando sua verdadeira atividade era a de sacerdote e diretor do Seminário que a Fraternidade São Pio 10º possui na cidade de Moreno", nos arredores de Buenos Aires.

Polêmica

Williamson está no meio de uma polêmica entre o Vaticano e entidades judaicas desde que sua expulsão da Igreja Católica – por desobediência, nos anos 80 – foi suspensa em janeiro pelo Papa Bento XVI, junto à de outros três religiosos tradicionalistas.

O gesto de união entre cristãos levou à revolta de judeus quando veio à tona uma entrevista de Williamson a uma tevê sueca, em que ele disse não acreditar que os nazistas tenham utilizado câmaras de gás para extermínio e estimou entre 200 mil e 300 mil judeus o número de judeus mortos nos campos de concentração – 6 milhões de judeus foram mortos pelos nazistas, segundo registros históricos amplamente aceitos.

Em meio à pressão internacional – que incluiu um pedido da chanceler alemã, Angela Merkel – o Papa afirmou que a negação do Holocausto é "totalmente inaceitável", e o Vaticano ordenou que Williamson revisse suas opiniões, mas o bispo disse que precisava de mais tempo para examinar as evidências históricas.

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