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Bogotá

Governo Espriella alega “doutrinação política” e retira obras do Museu Nacional da Colômbia

A ministra da Cultura da Colômbia, Paola Holguín, justificou a medida, ao alegar que o museu não pode servir para difundir versões “enviesadas” da história (Foto: Mario Caicedo/EFE)

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A ministra da Cultura da Colômbia, Paola Holguín, defendeu nesta sexta-feira (16) a retirada de mais de 30 peças do Museu Nacional — o principal do país, localizado na capital Bogotá —, alegando que a instituição não pode servir como instrumento de “doutrinação política” nem difundir versões “enviesadas” da história.

“O Museu Nacional, como parte do Estado, tem o propósito de conservar, restaurar, proteger e socializar a nossa cultura. Sua vocação institucional NÃO consiste em servir como instrumento de doutrinação política, foco de difusão de versões enviesadas da nossa história, e muito menos como meio de propagação da agenda governamental”, escreveu a ministra em post no X.

“O Museu Nacional NÃO pode ser um espaço de apologia ao crime ou de revitimização; ele deve respeitar os direitos das vítimas à verdade, à justiça, à reparação e à não repetição”, acrescentou Holguín.

Segundo informações da imprensa colombiana, reproduzidas pela agência EFE, foram retirados pelo menos 30 cartazes, fotografias e objetos de três salas do Museu Nacional. Os itens estavam relacionados à história dos movimentos feministas e LGBTI, às vítimas da violência política e ao acordo de paz assinado em 2016 entre o governo e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Entre as peças retiradas, estavam uma bandeira do orgulho gay pertencente à ativista Elizabeth Castillo, um cartaz da campanha presidencial de Bernardo Jaramillo Ossa — candidato do partido de esquerda União Patriótica assassinado em 1990 — e o chamado “Balígrafo”: uma caneta feita a partir de uma bala, utilizada na assinatura do acordo de paz.

A decisão insere-se na “contrarrevolução cultural” anunciada na quinta-feira (15), durante uma visita ao Ministério da Cultura, pelo presidente colombiano, Abelardo de la Espriella.

Ele ordenou que Holguín retirasse dos espaços públicos representações que ele considera serem “apologia ao terrorismo”. Entre essas referências, estão as alusivas a Carlos Pizarro, ex-comandante da guerrilha M-19 e signatário de um acordo de paz, assassinado em 1990 durante a campanha presidencial daquele ano.

Seu chapéu foi declarado, durante o governo do ex-membro da M-19 Gustavo Petro (2022-2026), Patrimônio Cultural da Nação; contudo, esse reconhecimento foi recentemente suspenso por uma decisão judicial.

“A museologia e a curadoria dos diferentes espaços sob responsabilidade do ministério estão sendo avaliadas e reformuladas para cumprir a missão de salvaguardar, pesquisar, conservar e difundir o patrimônio cultural, histórico e artístico da nação, servindo como espaços para a memória, a identidade e a transformação social”, disse Holguín.

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