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Shutdown

Governo dos EUA entra em paralisação sob pressão dos democratas acerca da atuação do ICE

O Capitólio, sede do Legislativo dos EUA, em Washington (Foto: JIM LO SCALZO/EFE/EPA)

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Os EUA entraram neste sábado (31) em sua segunda paralisação parcial de agências federais (o chamado shutdown) sob o governo de Donald Trump, mas dessa vez com a expectativa que o impasse orçamentário seja resolvido no início da próxima semana, quando a Câmara dos Representantes se reunirá para a votação final após um acordo com a Casa Branca.

Na segunda-feira (2), a Câmara receberá o projeto de financiamento de várias agências, que inclui manter o financiamento atual sem alterações durante duas semanas do Departamento de Segurança Nacional (DHS), após o órgão enfrentar emendas no Senado devido às disputas surgidas pela operação desta agência em Minneapolis, onde dois moradores morreram baleados por agentes de imigração, o que motivou protestos massivos.

A votação no Senado ocorreu nesta sexta-feira e o seu envio à Câmara dos Representantes foi adiado para segunda-feira, o que provocou a paralisação parcial desde a zero hora da noite passada.

A incerteza sobre se o fechamento seria prolongado terminou após um acordo bipartidário, entre democratas e republicanos, com o apoio do presidente Donald Trump, que deu sinal verde a cinco projetos de dotações orçamentárias e uma extensão temporária do financiamento para o controverso DHS.

Dado que a Câmara não se reunirá até segunda-feira, o Pentágono e a maioria das agências nacionais, entre elas a agência tributária IRS, fecharam temporariamente suas portas.

O Comitê de Regras da Câmara dos Representantes planeja reunir-se este domingo (1º) para preparar a votação de segunda-feira, que exigirá uma maioria de dois terços e um número significativo de votos democratas.

Embora o presidente da Câmara, o republicano Mike Johnson, tenha indicado que tentarão aprovar o pacote de projetos quando os legisladores regressarem na segunda-feira, a votação não se apresenta fácil, já que legisladores de ambas as partes expressaram suas divergências sobre o financiamento do DHS.

Por um lado, os republicanos disseram que se opõem a mudanças no orçamento da agência, pelo qual já tinham votado, enquanto os democratas buscam maior fiscalização da agência de segurança, mas apoiarão os demais cinco dos seis projetos que serão votados.

"Não votarei por um projeto de lei do DHS que não financie e empodere totalmente o ICE", advertiu o representante republicano do Texas, Dan Crenshaw.

Por sua vez, o porta-voz da minoria democrata, Hakeem Jeffries, afirmou que é preciso "abordar o tema de controlar o ICE e o Departamento de Segurança Nacional com a máxima urgência", segundo o jornal The Washington Post.

Os democratas exigiram uma série de medidas para aprovar o orçamento, como pôr fim às patrulhas imigratórias itinerantes, endurecer as normas para exigir ordens de busca em lares de imigrantes, proibir o uso de máscaras aos agentes e exigir-lhes uma identificação adequada e câmeras corporais.

Os republicanos têm também a sua lista de reivindicações, uma vez que exigem impulsionar suas próprias mudanças nas negociações, incluindo uma ofensiva contra as chamadas "cidades santuário".

Se a Câmara conseguir chegar a um acordo, o pacote de seis projetos de financiamento será enviado ao presidente Trump para ratificação, momento em que terminaria a paralisação governamental.

As paralisações de fim de semana, como esta, são bastante comuns e não têm o mesmo impacto que a do final de 2025 que, entre 1º de outubro e 12 de novembro, estabeleceu o recorde histórico nos EUA ao prolongar-se por mais de 43 dias.

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