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O primeiro-ministro da França, Sébastien Lecornu, acusou nesta terça-feira (20) grupos de extrema esquerda de planejar uma insurreição no país durante os protestos violentos que ocorreram no último final de semana.
Em discurso na Assembleia Nacional, o parlamento francês, o chefe do governo do presidente Emmanuel Macron afirmou que houve uma atuação organizada de movimentos radicais nos ataques contra prédios públicos e citou a prisão de um suspeito ligado à extrema esquerda pelo incêndio do histórico prédio da prefeitura da cidade de Limoges.
Lecornu denunciou o que chamou de "planejamento, em determinados lugares, de um esquema insurrecional conduzido por pequenos grupos da extrema esquerda e da ultraesquerda". Segundo ele, os episódios de violência registrados durante as manifestações não podem ser tratados como simples perturbações da ordem pública.
O prédio histórico da prefeitura de Limoges foi incendiado durante a onda de violência e sofreu danos graves, incluindo o desabamento de parte do telhado e da torre. Nesta terça, a polícia prendeu um homem de 34 anos suspeito de participar do incêndio. Segundo as autoridades, ele já era conhecido dos serviços de inteligência por sua ligação com movimentos de extrema esquerda e constava de uma lista de monitoramento de indivíduos considerados potencialmente perigosos.
Em entrevista ao jornal Le Monde, o prefeito de Limoges, Guillaume Guérin, atribuiu o ataque ao prédio a militantes da esquerda. Segundo ele, os invasores utilizaram equipamentos preparados para destruir as instalações e ameaçaram funcionários que estavam no prédio no dia do ataque.
"Foi a ultraesquerda que organizou a logística. Eles haviam preparado a ação e sabiam por onde entrar na prefeitura", afirmou Guérin.
As acusações do governo francês atingiram o partido de esquerda radical França Insubmissa (LFI), liderado por Jean-Luc Mélenchon. Durante a sessão parlamentar desta terça, o ministro do Interior, Laurent Nuñez, acusou integrantes da legenda de contribuírem para o agravamento das tensões.
"Vocês jogaram mais lenha na fogueira, houve incidentes graves e vocês têm uma parcela de responsabilidade", disse Nuñez aos deputados da sigla.
O partido de esquerda rejeitou as acusações e afirmou que o governo Macron está tentando transferir à oposição a responsabilidade por falhas na segurança nos dias de protestos. O coordenador da LFI, Manuel Bompard, disse que a legenda deve recorrer à Justiça contra Nuñez após uma reportagem do site Mediapart acusar o ministro de orientar os serviços de inteligência a responsabilizar a legenda pelos distúrbios. Nuñez negou a acusação.
De acordo com informações divulgadas pela imprensa francesa, uma avaliação dos serviços de inteligência apontou a participação de militantes de ultraesquerda e da extrema esquerda radical da França nos ataques contra policiais e edifícios públicos.
Diante da convocação de novos protestos para sábado (24), Lecornu prometeu ampliar a presença policial nas ruas e impedir tentativas de invasão de prédios do governo.
"Não vamos tolerar que pequenos grupos sediciosos possam marchar sobre o Palácio do Eliseu, sobre Matignon", declarou o primeiro-ministro, citando as sedes da Presidência e do governo francês.
Lecornu reconheceu perante o Parlamento francês as falhas do governo na operação de segurança do último final de semana, quando manifestantes incendiaram veículos, saquearam estabelecimentos comerciais e atacaram prédios públicos em diferentes cidades do país. Segundo o premiê de Macron, os agentes de segurança estavam excessivamente concentrados em pontos fixos e tinham pouca mobilidade para enfrentar os grupos envolvidos na violência.







