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Integração

Governo militar vivificou fronteiras para proteção

Para entender a distinção das fronteiras brasileiras é preciso relembrar a antiga estratégia geopolítica portuguesa, a era Vargas e o próprio governo militar brasileiro (1964–1985), segundo a socióloga da UFPR e doutora em Geopolítica e Meio Ambiente, Sigrid Andersen. Governos passados agiram de acordo com a ideologia militar de vivificação das fronteiras, ou seja, a inserção de colonos civis nas bordas do país como barreiras contra o avanço dos países vizinhos e, simultaneamente, como base para a expansão brasileira no interior do continente. "Por que a oposição dos militares quanto às reservas indígenas de Raposa/Serra do Sol? Porque os indígenas não têm o conceito de patriotismo, de defesa e soberania nacional", exemplifica.

Foi o presidente Getúlio Vargas quem instituiu, na década de 1930, uma faixa de 150 quilômetros de fronteira como território federal, onde proibiu investimentos internacionais. O objetivo àquela época já era obter garantia de soberania nacional sobre as fronteiras. Ela enquadra dois projetos nacionais como estratégicos à manutenção das fronteiras. Um deles, defensivo, é o Calha Norte, que previa ocupação militar de faixa fronteiriça com a Guiana Francesa, Suriname, Guiana, Venezuela e Colômbia, implantado no governo Sarney. Já a construção da hidrelétrica de Itaipu, nos anos 70, teria caráter fortemente ofensivo porque havia disputa entre Brasil e Argentina pela hegemonia do continente sul-americano, além de questões técnicas.

Sigrid lembra que, hoje, as políticas binacionais estão em risco com a subida de nacionalistas aos governos vizinhos. "O que o Brasil vai fazer com a questão dos brasiguaios no Paraguai, ou com as empresas ligadas à Petrobras na Bolívia?", questiona. (AL)

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