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Disputa

Governo socialista de Paris pede que Casa Argentina seja investigada por “ideologias de extrema direita”

A Casa Argentina, residência universitária e centro cultural localizado na Cidade Internacional Universitária de Paris (CIUP) (Foto: CIUP/Wikimedia Commons)

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A prefeitura de Paris, liderada pelo prefeito socialista Emmanuel Grégoire, pediu que o governo do presidente da França, Emmanuel Macron, faça uma investigação sobre a Casa Argentina.

Trata-se de uma residência universitária e centro cultural localizado na Cidade Internacional Universitária de Paris (CIUP), vinculado à Secretaria da Educação do governo do presidente argentino, Javier Milei.

Em carta enviada ao Ministério das Relações Exteriores da França no final de julho e à qual o jornal Clarín teve acesso, a prefeitura de Paris pede que sejam investigadas várias questões envolvendo o local, inclusive a suposta “difusão de ideologias de extrema direita”.

A Casa Argentina tem como diretor Santiago Muzio, advogado que é apoiador de Milei.

A carta acusa a atual gestão da Casa Argentina de “violar os valores e o regulamento interno da Cidade Internacional Universitária de Paris”.

“Recebemos relatos em particular sobre decisões de despejo ou não renovar contratos [de residentes], que afetam vários residentes da Casa Argentina, sem que fossem oferecidas soluções de habitação de longo prazo para o início do ano letivo”, afirmou a prefeitura de Paris no documento.

“Também fomos informados sobre a remoção de placas comemorativas dedicadas às 30 mil vítimas que desapareceram durante a ditadura argentina [1976-1983]. Isso constitui um ataque particularmente grave à memória delas e à história da Casa Argentina”, argumentou.

De acordo com o Clarín, a carta também cita reuniões políticas no local com presença de Marion Maréchal Le Pen, sobrinha da líder de direita nacionalista Marine Le Pen, e apoiadores.

“Além disso, lamentamos que, segundo relatos que recebemos, reuniões que difundem ideologias de extrema direita, negacionistas do Holocausto, odiosas e discriminatórias estejam sendo permitidas em uma universidade de renome internacional”, alegou a prefeitura de Paris.

A carta apontou que a administração municipal entrou em contato com a presidência da Cidade Internacional Universitária de Paris e com o Ministério do Ensino Superior, Pesquisa e Espaço da França sobre a questão.

“No entanto, até o momento, não fomos informados sobre a abertura de qualquer investigação para esclarecer os fatos e pôr fim a essa situação”, afirmou.

“Também consideramos necessário que o governo francês intervenha junto às autoridades argentinas para lembrá-las firmemente da necessidade de respeitar os valores republicanos e os regulamentos da CIUP — especificamente os princípios de neutralidade, pluralismo, liberdade acadêmica e não discriminação”, acrescentou a carta da prefeitura de Paris, que alegou que a situação “justifica plenamente uma intervenção do Ministério da Europa e das Relações Exteriores” da França.

A direção da Casa Argentina e os governos Milei e Macron ainda não se pronunciaram sobre a questão.

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