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Conflito no Cáucaso

Guerra na fronteira russa

Rússia bombardeou a Geórgia após ofensiva do país vizinho para retomar a Ossétia do Sul

 | AFP
(Foto: AFP)

Tbilisi, Geórgia - O premier russo, Vladimir Putin, declarou que "a guerra já começou’’ entre seu país e a ex-república soviética da Geórgia. Os dois iniciaram ontem pesados confrontos após a ofensiva georgiana para retomar a região separatista da Ossétia do Sul, respondida com bombardeios, por blindados russos, de bases aéreas dos adversários.

Moscou e Tbilisi se acusam de responsáveis pelos incidentes, que romperam uma trégua pontuada de escaramuças observada desde 2004, com a eleição na Geórgia do presidente de Mikhail Saakashvili, um pró-ocidental empenhado em reunificar seu país. A Rússia apóia a Ossétia do Sul.

Um assessor de Saakashvili disse no início na próxima madrugada que o presidente "nas próximas horas’’ decretará a lei marcial, após o ataque, pela Rússia, ao porto de Poti, no mar Negro. "Os russos estão bombardeando nossa infra-estrutura econômica’’, disse Kakha Lomaia.

Segundo diplomata citado pelo Financial Times, o estopim foi a explosão de uma bomba sobre um veículo da Geórgia que feriu seis pessoas. Georgianos responderam com disparos que mataram seis da Ossétia do Sul. A seguir forças georgianas invadiram Tskhinvali, a capital da região separatista.

Moscou acusa a Geórgia de ter "praticamente destruído’’ a capital e nega que ela tenha caído em mãos inimigas. Mas, em Tbilisi, a versão é de que a cidade está sob seu controle.

A tensão tem como origem a implosão soviética e a independência da Geórgia, que não permitiu o desmembramento de seu território para que a Ossétia do Sul permanecesse na Rússia, junto da Ossétia do Norte, com a qual se identifica cultural e etnicamente.

Após breve conflito armado, uma trégua foi selada em 1992. A Ossétia do Sul, tendo declarado independência, passou a funcionar de forma autônoma.

Na prática, o território sul-ossetiano se tornou um protetorado de Moscou, que supre dois terços de seu Orçamento. Os russos deram à região um presidente e uma nova Constituição, forjando um "Estado" que só eles reconheceram.

O presidente americano, George W. Bush, disse ontem em Pequim, por meio de porta-voz, que "reitera seu apoio à integridade territorial da Geórgia’’. Mais tarde, sua secretária de Estado, Condoleezza Rice emitiria um duro comunicado: "Instamos a Rússia a cessar os ataques à Geórgia com aeronaves e mísseis, a respeitar a integridade territorial georgiana e a retirar suas forças de combate em campo do solo georgiano".

Os estreitos laços entre Tbilisi e Washington e a perspectiva de a Geórgia entrar para Otan, bloco militar ocidental, irritam Moscou. O presidente russo, Dmitri Medvedev, disse ontem que seu governo protegeria todos os seus cidadãos. Dois terços dos sul-ossetianos têm nacionalidade russa.

Mediação

A União Européia e a Turquia tentam mediar a crise. O primeiro-ministro turco, Recep Tayip Erdogan, disse que seu país está pronto para colaborar com qualquer esforço para a paz. O chanceler francês, Bernard Kouchner, pediu a todas as partes que estabeleçam uma trégua imediatamente. Vasil Sikharulidze, embaixador da Geórgia nos EUA, disse em entrevista que "nós pedimos a nossos amigos, e os EUA estão entre eles, que de alguma maneira tentem mediar o conflito."

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