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Guerra comercial

Importações brasileiras da Rússia, na mira de tarifa de 100% dos EUA, aumentam em 2026

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ditador russo, Vladimir Putin, em encontro em Moscou em maio de 2025 (Foto: MAXIM SHEMETOV/EFE/EPA)

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O Brasil, que foi alvo de uma nova tarifa de 25% que os Estados Unidos aplicaram a produtos do país em julho sob a alegação de práticas comerciais injustas e de outra sobretaxa de 12,5% imposta no mesmo mês, alegando falta de medidas suficientes para coibir a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado, pode sofrer novas tarifas americanas devido a uma lei aprovada nesta quarta-feira (16) pelo Congresso americano.

A Câmara dos Estados Unidos aprovou em votação final, com 262 votos favoráveis e 159 contrários, um projeto de lei para impor taxas de até 100% a países que comprarem petróleo, gás e derivados russos.

Nos últimos anos, o Brasil aumentou as importações de diesel russo, que ficou mais barato porque Moscou passou a buscar mercados alternativos devido às sanções do Ocidente, motivadas pela guerra na Ucrânia.

O objetivo da tarifa aprovada ontem pela Câmara dos Estados Unidos é forçar o ditador Vladimir Putin a negociar um cessar-fogo na guerra na Ucrânia.

Nesta quinta-feira (17), o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, alegou que essa medida poderá ter o efeito contrário.

“Estamos, naturalmente, acompanhando o andamento deste projeto de lei. Ele se enquadra na categoria de ações hostis e, claro, a imposição de quaisquer sanções adicionais pelos EUA certamente complicaria os esforços para encontrar uma solução de paz na Ucrânia”, disse Peskov em entrevista coletiva, segundo informações da agência Reuters.

O texto seguirá agora para a sanção do presidente Donald Trump. O representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, que recomendou as tarifas anteriores sobre produtos do Brasil, tomará a decisão final sobre a porcentagem da sobretaxa.

Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), entre janeiro e agosto de 2026, as importações brasileiras da Rússia somaram US$ 7,15 bilhões. No mesmo período no ano passado, haviam sido US$ 7,03 bilhões.

Apesar desse crescimento, a tendência é de queda nos últimos meses, já que os ataques da Ucrânia a refinarias do país vizinho estão elevando o preço do diesel russo, o que tem levado o Brasil a procurar outros fornecedores, como Estados Unidos e Índia.

De acordo com os dados do MDIC, o total de importações brasileiras da Rússia, que foi de US$ 1,38 bilhão em abril, caiu para US$ 433,8 milhões em agosto.

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